Um tsunami de desencontros, trombadas, esbarrões e fogo amigo varreu a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a divulgação do áudio em que ele pede recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark horse”, para a promoção do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), ao custo de R$ 134 milhões. O lançamento está previsto para 11 de setembro, três semanas antes das eleições gerais. O primeiro aliado a entrar para o rol dos “ex” foi o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). Há menos de um mês, Zema posava ao lado de Flávio Bolsonaro, em camaradagem, especulando em vídeo qual deles seria o vice da chapa ao Palácio do Planalto. Mas o caso Master foi a gota d'água para que o promissor casamento de Cinderela se transformasse em pesadelo de borralheira. Zema foi o primeiro a se voltar contra Flávio Bolsonaro, mirando tornar-se a alternativa no campo da direita.


O PL em Minas registrou o desagravo a Flávio Bolsonaro e a reprovação a Zema. “Num momento como este, gestos contam muito. E esse foi gesto de um juiz que não se preocupou em ouvir todos os lados”, afirmou o presidente estadual do PL, deputado federal Zé Vitor. Defendendo a CPI do Master, Zé Vítor considerou “precipitada” a corrida do ex-governador de Minas às redes para atacar Flávio Bolsonaro. Dentro do Novo, partido de Zema, o mesmo termo foi empregado no Paraná e em Santa Catarina, onde os diretórios do Novo acusaram a “precipitação” do ex-governador.


As declarações foram ao encontro de Eduardo Bolsonaro, que, dos Estados Unidos, demonstrou que não apenas Flávio Bolsonaro pediu recursos ao ex-banqueiro do Master, mas, o próprio partido Novo em Minas recebeu a contribuição de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, nas eleições de 2022, no valor de R$ 1 milhão. Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira. Zema nega que o recurso tenha entrado em sua campanha.


A doação dos Vorcaro ao diretório estadual do Novo foi registrada em 4 de agosto de 2022. E a declaração de Zema à Justiça Eleitoral daquele ano informa o recebimento de R$ 16,8 milhões do diretório do Novo.

Flávio Bolsonaro nega que dinheiro de Vorcaro tenha sido repassado a Eduardo


O comportamento do ex-governador mineiro respingou em seu candidato à sucessão mineira, o governador Mateus Simões (PSD). Na carona de Zema, ele acusou o novo contexto de isolamento por tabela: a Federação União Progressista, que já havia iniciado o desembarque pela hesitação do União, ganhou novos motivos após as críticas de Zema dirigidas ao presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), também envolvido com o escândalo Master. O ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), pré-candidato ao Senado, também já havia registrado os seus dissabores com Mateus Simões, depois da filiação ao PSD do senador Carlos Viana, candidato à reeleição e seu concorrente direto. Aro tem oportunidade em migrar com a federação para o campo bolsonarista, já que o PL e o Republicanos anunciaram coligação para a sucessão mineira. O senador Cleitinho (Republicanos) é o provável pré-candidato, ainda não confirmado.


Os dissabores de Flávio Bolsonaro nos últimos dias não partiram só de Romeu Zema. Despreparo, amadorismo, bateção de cabeça e falta de comando são os adjetivos empregados pelos próprios apoiadores do senador para descrever a reação da pré-campanha ao áudio em que ele pede dinheiro a Daniel Vorcaro. Para além das candidaturas de Romeu Zema, Ronaldo Caiado (PSD) e de Renan Santos (Missão), que se beneficiariam do enfraquecimento de Flávio Bolsonaro, houve fogo amigo também na esfera familiar do clã Bolsonaro. Quando, em dezembro de 2025, o filho Flávio foi anunciado por Jair Bolsonaro como o seu “herdeiro político” e candidato à sucessão presidencial de 2026, encerrou-se a disputa familiar com a madrasta Michelle Bolsonaro, que articulava pela candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que lhe daria a posição de vice na chapa.


Houve outros embates políticos entre eles, um deles no Ceará, em torno do apoio a Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo do estado. Não à toa, em meio à crise do Master, a primeira providência do senador foi conversar com o pai, de quem ouviu o conselho para seguir em frente, afastando especulações de que Michelle poderia substitui-lo. Foi também sinalização ao pessimismo do mercado financeiro quanto ao futuro de sua candidatura presidencial. São quase cinco meses até o pleito, muito há por vir. Em meio às incertezas que suscitam os celulares de Daniel Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal, a cada novo áudio vazado, assim como aliados se tornam adversários, candidaturas que parecem sólidas podem se desmanchar no ar.

 

Pacheco

Em confirmação às expectativas do PT de Minas, consolidadas em reunião de lideranças nesta segunda-feira, 11, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) já informou a Edinho Silva, presidente nacional do PT, que não pretende concorrer ao governo de Minas.

 

Vai que cola

Coube ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), tentar a última cartada. Em ligação a Rodrigo Pacheco, Alckmin lhe pediu que tivesse uma última conversa com o presidente Lula (PT) sobre a sucessão mineira. O senador informou que estará em Brasília neste fim de semana e aguarda o telefonema.


TCU


O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), informou aos ex-colegas do Senado que vai deixar o cargo para atuar na iniciativa privada. A expectativa era de que o anúncio oficial ocorresse esta semana, mas ainda não aconteceu. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), gostaria de indicar Rodrigo Pacheco para a vaga. Pacheco acompanha ainda sem se posicionar.


Escala 5x2

A Câmara dos Deputados vai discutir as propostas de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 em seminário na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O evento será realizado em 21 de maio e vai contar com a presença dos membros da comissão especial formada para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019), de autoria do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). Já confirmaram presença, além do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, parlamentares, sindicatos, especialistas e representantes do mundo do trabalho. A proposta pretende reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, em uma escala de cinco dias trabalhados e dois de descanso, sem redução de salários. O evento será coordenado pelo presidente da Comissão, deputado federal Alencar Braga (PT-SP), o relator Léo Prates (Republicanos-BA) e o autor da PEC, Reginaldo Lopes.


Votação

A comissão especial que analisa a PEC 221/2019 já debateu o tema na Paraíba, em São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão. Depois de Minas, seguirá para outros estados. A votação no plenário da Câmara dos Deputados está prevista para 27 de maio. Há maioria para a aprovação.

 

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