O ato da Avenida Paulista convocado para 1º de março pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), centrado no pedido de impeachment do presidente Lula e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, desencadeou um confronto político latente com o grupo de bolsonaristas raiz ligados ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
De um lado estão os deputados federais Mário Frias (PL-SP), Cabo Junior Amaral (PL-MG), Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), Pastor Marco Feliciano (PL-SP), os deputados estaduais paulistas Gil Diniz (PL), Capitão Telhada (PL), Lucas Bove (PL), Paulo Mansur (PL) e Tomé Abduch (PL) e os deputados estaduais mineiros Cristiano Caporezzo (PL) e Bruno Engler (PL).
Reservadamente, percebem Nikolas Ferreira como uma liderança do pós-bolsonarismo ascendente, cioso de sua força eleitoral e disposto a dar o ritmo da sucessão mineira e presidencial no PL, em detrimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação desse grupo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não seria o candidato da preferência do parlamentar mineiro, que, ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ainda estaria trabalhando pela candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo.
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Na visão desses parlamentares que se denominam “bolsonaristas raiz”, a pauta convocada por Nikolas para o ato da Paulista, ao mesmo tempo em que não dá centralidade ao principal interesse da família Bolsonaro, poderá ter consequências para Flávio Bolsonaro, à medida em que abriria brecha para ser interpretada como propaganda eleitoral negativa antecipada. “Nosso foco é a anistia a Jair Bolsonaro e aos presos de 8 de Janeiro. Nossa pauta é derrubar o veto da dosimetria. Por que esses temas não são centrais para Nikolas?”, indaga um dos integrantes do grupo.
Pelo X, esses parlamentares desencadearam um movimento de deslocamento do protagonismo do ato na Paulista de Nikolas para Flávio Bolsonaro, compartilhando o post “Meu amigo Flávio Bolsonaro estará na Paulista” ou “Se você não apoia Flávio Bolsonaro, quem você apoia?”.
Ao centro do racha do PL nacional e mineiro está Nikolas Ferreira. Não quer ser atropelado pelas raposas da legenda, que buscam apoio em sua projetada votação para beneficiar candidaturas à Câmara dos Deputados sem consultá-lo previamente. E, ao mesmo tempo, Nikolas segue testando o seu potencial de mobilização social, o que incomoda a família Bolsonaro e o seu núcleo mais leal de apoiadores, nele vislumbrando um desafiante à liderança do ex-presidente da República.
A pauta de Nikolas no ato da Paulista explora o desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF), que se agrava com o caso Master, uma granada sem pino que alcança de pastores e “churchs” a lideranças de todos os partidos e de amplo espectro de autoridades da República. “Se você é brasileiro, esse vídeo só tem uma pergunta pra você. Qual escândalo precisa acontecer para que você diga ‘chega’? Porque é inacreditável o limite que o brasileiro aguenta a impunidade”, publicou o parlamentar ao convocar a militância para as ruas.
Se no plano nacional a movimentação de Nikolas Ferreira segue tensionando o relacionamento com a família Bolsonaro, em Minas, a aproximação do parlamentar com o governador Romeu Zema (Novo) e a candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD) gera desgaste adicional junto aos deputados estaduais de raiz bolsonarista. Bruno Engler chegou a postar vídeo na quarta-feira à noite (18/2) – para apagar em seguida –, ao lado de Eduardo Bolsonaro, com a chamada de capa: “Hoje não há acordo fechado com Mateus e não há acordo fechado em torno de nenhum nome”.
Enquanto as lideranças anotam a aproximação de Nikolas com o vice-governador, no PL o sentimento predominante em relação à sucessão estadual é binomial: a única hipótese de a legenda caminhar com Simões é se Romeu Zema integrar a chapa como vice de Flávio Bolsonaro. Se Zema seguir candidato à Presidência da República, o PL pretende ter palanque próprio em Minas. Seja apoiando o senador Cleitinho (Republicanos), seja lançando o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Decisões administrativas
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino proibiu a aplicação de novas leis que permitam o pagamento de salários ou verbas indenizatórias que ultrapassem o teto constitucional, os chamados “penduricalhos” nos três Poderes. Entretanto, no Judiciário e Ministério Público, boa parte de verbas indenizatórias e penduricalhos autorizados são decisões administrativas. Nem sequer respaldo em legislação pertinente têm.
Corrupção
Depois da renúncia do presidente do conselho da Copasa, Hamilton Amadeo, que confessou em delação premiada ter orquestrado um esquema de pagamento de propinas em favor da Aegea, empresa privada de saneamento, a Copasa ainda segue sem previsão para nova indicação ao cargo.
Ser ou não ser
Em que pese o vice-governador Mateus Simões (PSD) já ter declarado publicamente considerar a Copasa uma “péssima prestadora de serviço”, a empresa estatal – que será privatizada – obteve o melhor desempenho entre as empresas do setor de saneamento, no 27º Prêmio Abrasca na edição 2025, reconhecimento que reforça a consistência e a qualidade das informações divulgadas em seu Relatório de Sustentabilidade. Além da liderança setorial, a companhia alcançou a 16ª posição na categoria que reúne companhias abertas com receita líquida igual ou superior a R$ 3 bilhões, com média final de 95 pontos no ranking de relatórios de sustentabilidade.
Vai caducar?
O prazo de vigência da Medida Provisória 1.317/2025, que transformou a Autoridade Nacional de Proteção de Dados na atual Agência Nacional de Proteção de Dados, vai se encerrar na próxima quarta-feira (25), anulando seus efeitos caso não seja apreciada e aprovada pelo Congresso Nacional. O texto, já aprovado na Câmara, aguarda análise do Senado. Propõe que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados seja transformada em autarquia de natureza especial, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira, além de patrimônio próprio e sede no Distrito Federal. Com isso, passa a compartilhar o status das demais agências reguladoras.
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Falso advogado
O golpe do falso advogado pode virar crime específico no Código Penal. O Projeto de Lei 4.709/2025, que prevê pena de até oito anos de prisão para esse tipo de fraude, está pronto para votação em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Autor do texto, o deputado Gilson Daniel (Pode-ES) afirma que a iniciativa surgiu após sucessivos casos noticiados pela imprensa e por sugestão da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo.
