Anna Marina*
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DIREITOS HUMANOS

Agosto Lilás em favor da mulher

Levantamento aponta que 21,4 milhões de brasileiras, um terço da população feminina adulta, sofreram violência física, psicológica ou sexual em 2025

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Neste Agosto Lilás, dedicado à importante campanha em defesa da proteção à mulher, a psicóloga Andrea Beltran alerta para os impactos emocionais da violência doméstica.

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Dados recentes revelam que 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência no último ano.

A violência doméstica provoca feridas profundas e duradouras na saúde mental das mulheres. Segundo Andrea Beltran, especialista em psicologia analítica junguiana, a agressão “fragmenta a estrutura psíquica, gerando desorientação, medo e dissociação”, podendo levar a quadros de ansiedade, depressão, insônia, fobia e sensação de vazio.

De acordo com levantamento do Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 21,4 milhões de brasileiras (cerca de um terço da população feminina adulta) sofreram algum tipo de violência no último ano, seja física, psicológica ou sexual.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que, apenas em 2024, foram registrados 966.785 novos casos de violência doméstica, com mais de 1,29 milhão de processos ainda pendentes de julgamento. No mesmo período, 10.991 processos de feminicídio foram julgados, 225% a mais do que o número registrado em 2020.

Outro dado alarmante, divulgado pela Agência Brasil: 91,8% das agressões contra mulheres nos últimos 12 meses foram presenciadas por terceiros.

Para a doutora Andrea Beltran, mesmo quando não há agressão física, o impacto psicológico pode ser devastador. A vítima passa a acreditar nas projeções negativas lançadas sobre ela, tipo “não sou suficiente”, “não tenho valor”, “ninguém vai me amar”.

A psicóloga explica que sentimentos de culpa e vergonha, comuns entre vítimas, estão enraizados em padrões culturais e emocionais antigos, muitas vezes reforçados por experiências de humilhação, abandono ou desamparo na infância.

A recuperação envolve resgatar imagens internas positivas e restaurar a autoestima. Sinais de superação incluem retomada de interesses pessoais, reconexão com o corpo e intuição, clareza nos próprios desejos e limites, abertura para vínculos saudáveis, espontaneidade e o retorno do riso.

Para evitar recaídas emocionais, a especialista orienta fortalecer o eixo ego-self, reconhecer e integrar padrões inconscientes, tornando as decisões mais conscientes e menos impulsivas. Para isso é importante o tratamento com psicólogo ou psicanalista.

É preciso destacar a importância do acolhimento, da escuta e de políticas públicas para a reconstrução da vida das mulheres violentadas. De que adianta impor medida protetiva se não existe pessoal para fiscalizar? O agressor desobedece e quando a polícia for chamada, pode ser tarde demais. O que fazer? Não sei dizer, mas é preciso implantar mudanças e ações de segurança urgentemente.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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