Há cerca de 15 dias uma moça, minha conhecida, de 31 anos, morreu por causa de uma embolia pulmonar, consequência de uma trombose, por causa de uma cirurgia de hérnia que ela tinha feito. Já em casa, começou a sentir uma dor, foi à UPA, o médico disse que não era nada, que deveria ser uma gripe ou princípio de pneumonia, e deu alta. Em casa, ela piorou e o marido a levou para o Hospital João XXIII, onde foi constato o problema real, mas não deu tempo de fazer nada. Ela deixou um filho de 12 anos.
O que me deixa perplexa é que uma das grandes preocupações dos médicos pós-cirurgia é o risco de trombose. E como um médico da UPA, sabendo que ela tinha acabado de passar por uma, não se atentou para o risco?
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Agora, prevenção da trombose passa a ser uma prioridade na assistência hospitalar brasileira. A nova legislação determina que instituições públicas e privadas adotem protocolos para identificar pacientes com maior propensão de tromboembolismo venoso (TEV), doença que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). A medida busca reduzir uma das principais causas evitáveis de complicações e mortes durante e após a internação.
Para o cirurgião vascular e membro da Comissão de Tromboembolismo Venoso (TEV) da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP)–, dr. Adilson Ferraz Paschoa, a nova lei representa um marco importante para a segurança dos pacientes e reforça uma prática já recomendada pelas principais diretrizes médicas.
O tromboembolismo venoso acomete, principalmente, pacientes hospitalizados por condições clínicas ou cirúrgicas e está relacionado a fatores de risco como redução da mobilidade, processos inflamatórios e propensão à formação de coágulos. Embora a doença seja associada a longas viagens aéreas, o especialista ressalta que a probabilidade de desenvolver o quadro é muito maior durante as internações, período em que o repouso prolongado e outras vulnerabilidades clínicas estão mais acentuados. Segundo o dr. Adilson, a mobilidade restrita interfere no retorno venoso, quando a musculatura da panturrilha deixa de exercer adequadamente sua função, a velocidade do fluxo sanguíneo diminui e a predisposição para a trombose aumenta.
Na prática, a nova legislação determina que todos os pacientes internados sejam avaliados quanto à predisposição de tromboembolismo venoso e que os hospitais adotem as medidas preventivas mais adequadas para cada situação. Entre elas estão a mobilização precoce, hidratação, fisioterapia, uso de meias elásticas, dispositivos de compressão pneumática e, quando indicado, medicamentos anticoagulantes.
Outro ponto importante é que a probabilidade de trombose não termina com a alta hospitalar. De acordo com o médico, a possibilidade de desenvolver a doença permanece elevada nos primeiros meses após a internação. Dor e inchaço nas pernas, especialmente na panturrilha, são os principais sinais da trombose venosa profunda. Já a dor no peito, falta de ar e dificuldade para respirar podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento médico imediato.
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Além da atuação das equipes de saúde, pacientes e familiares também têm papel importante na prevenção da trombose. Incentivar a movimentação precoce, manter uma boa hidratação, seguir as orientações da fisioterapia e esclarecer dúvidas com a equipe médica são atitudes que ajudam a reduzir a probabilidade de complicações.
