Para muita gente, datas temáticas sobre questões de saúde parecem bobagem. Porém, elas servem como importante alerta. Ao chamarmos a atenção para alguma doença, divulgamos sintomas e muita gente lê ou ouve, reconhecendo ali algo que vem sentindo e julga não ser nada. É exatamente por isso que colocamos esses temas na mídia.

Quando falamos dos olhos, levantamos a bandeira da importância do diagnóstico precoce de doenças que afetam a visão. Cerca de 285 milhões de pessoas no mundo têm algum grau de deficiência visual, informa a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Catarata, glaucoma e degeneração macular, que estão entre as principais causas da perda de visão em idosos, podem evoluir de forma silenciosa. De 60% a 80% dos casos podem ser evitados ou tratados, caso haja diagnóstico e acompanhamento adequados.

O geriatra Bruno Vial, da Said Rio, empresa especializada em cuidados domiciliares, diz que muitos desses problemas evoluem de forma gradual e podem ser confundidos com envelhecimento natural da visão, o que reforça a importância da observação atenta de sinais iniciais.

“Dificuldade para enxergar de perto ou de longe, visão embaçada, sensibilidade à luz, perda de visão periférica e necessidade constante de aumentar a iluminação para realizar atividades simples podem ser sinais de alerta. Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de preservar a visão e evitar complicações”, explica o médico.

O acompanhamento regular com oftalmologista é fundamental, especialmente para pessoas acima dos 60 anos. Além disso, consultas periódicas com equipes multidisciplinares contribuem para o cuidado mais amplo e integrado da saúde do idoso.

Mas o alerta não vai apenas para doenças graves. Um fato corriqueiro, presente na rotina de 90% das pessoas, afeta muito a visão e ninguém atenta a isso: as telas.

Hoje, quem não trabalha na frente de um computador? Quem não olha o celular o tempo todo? Quem não assiste à televisão? Podemos dizer que este é um dos maiores males da atualidade. De acordo com dados da Anatel, são mais de 276 milhões de celulares ativos no Brasil, o que representa 1,3 aparelho por habitante.

Com a internet, as telas passaram a fazer parte da rotina. Porém, esta ferramenta de trabalho e objeto de diversão pode virar um problema, porque seu uso excessivo prejudica a visão.

Quando não estamos diante de um computador, estamos olhando para a tela do celular ou a TV, geralmente em ambiente fechado e, por vezes, com ar-condicionado, fatores que podem prejudicar nossa saúde.

A oftalmologista Daniela Faria explica que quando olhamos para a tela próxima dos olhos, piscamos menos, o que leva à abertura palpebral maior, aumentando a exposição da superfície ocular, o que resulta em olho seco evaporativo. Por isso, precisamos lubrificar o olho com colírios hidratantes.

Segundo a doutora Daniela Faria, há uma regra utilizada pelos oftalmologistas, a “20-20-20”: 20 minutos de frente para a tela e 20 segundos olhando para o lado, à distância de 20 pés (cerca de 6m). Nos segundos de descanso, piscamos mais e da forma correta.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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