Hoje é Dia do Amigo. Tem coisa melhor que isso?
Neste 20 de julho, pegue o telefone, mande mensagem, marque encontro. A vida passa rápido
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Dizem que, na juventude, colecionamos amigos como quem junta figurinhas. São dezenas de rostos nas salas de aula, festas de faculdade e nos primeiros passos da vida profissional.
As amizades que nasceram na infância, na escola, ocupam um pavilhão sagrado. Existe uma magia única em conviver com alguém que conhece a sua história antes mesmo de você saber quem gostaria de ser. Essas pessoas viram seus piores cortes de cabelo, primeiras frustrações amorosas e os maiores micos. Com elas, não há espaço para vaidade.
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Vocês viveram tantas coisas juntos, foi tão intenso, e depois a vida leva cada um para um lado, pois seguimos para cursos universitários e profissões diferentes. Casamos, constituímos famílias. Alguns mudam de país. Mas quando, por acaso, nos esbarramos pelo caminho, é como se nunca tivéssemos nos separado. Rimos da piada interna de trinta ou quarenta anos atrás.
É terapia que nenhum dinheiro compra. Neste mundo que muda rápido demais, o amigo de infância é aquela âncora que nos lembra de onde viemos e quem somos em nossa essência.
Se aos 20 anos toleramos excessos e superficialidades para “fazer parte do grupo”, aos 50 ou 60 nosso nível de tolerância para o que é falso cai drasticamente. Queremos e precisamos de amigos sinceros. Na maturidade, amizade sincera é um porto seguro: o lugar onde você pode tirar os sapatos, descansar a mente e ter a certeza de que é aceito exatamente como é.
Amigo verdadeiro tem passe livre para nos dizer as verdades mais duras, mas faz isso com o cuidado de quem deseja o nosso bem. Celebra o nosso sucesso sem nenhuma gota de inveja, divide o peso dos dias difíceis sem cobrar nada em troca.
O tempo age como um filtro natural. Avançar no calendário e cruzar a barreira dos 50, 60 anos nos traz muitas certezas, e a maior delas é que amizade não é questão de quantidade, mas de caimento. Amigo de verdade é aquele que nos serve perfeitamente, sem apertar ou machucar. Manter a frequência dos encontros na maturidade deixa de ser apenas evento social, passa a ser necessidade de saúde mental e emocional.
Nesta fase, a vida ganha novos contornos: os filhos já cresceram, casaram, tiveram filhos, ganharam o mundo. A aposentadoria se aproxima, para muitos ela já chegou, e a rotina muda. É nesse cenário que o olho no olho ganha um valor imensurável.
Reservar o final de tarde para um café, ou combinar o almoço sem pressa, a viagem de fim de semana, é o melhor antídoto contra a solidão. Esses encontros frequentes são o combustível que mantém a engrenagem da cumplicidade funcionando. Sem a convivência, até o afeto mais profundo corre o risco de virar apenas uma lembrança distante.
Neste 20 de julho, celebrar o Dia do Amigo – seja você jovem ou esteja depois de meio século de vida – é um ato de gratidão aos sobreviventes do tempo. Pegue o telefone, mande mensagem, marque um encontro.
A vida passa rápido, mas o abraço apertado no amigo de longa data e o tempo juntos para celebrar a amizade têm o poder de paralisar o relógio.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
