Vinte e oito de abril é Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. Ainda bem que esse tipo de segurança evoluiu da preocupação puramente física (prevenção de quedas e cortes) para a abordagem que contempla o bem-estar psicossocial. Hoje, o maior desafio das corporações é o que ocorre “dentro” da mente do colaborador.
O aumento acelerado dos casos de adoecimento mental no ambiente corporativo acendeu o alerta entre especialistas. Dados recentes mostram que o Brasil registrou cerca de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, crescimento significativo nos últimos anos, com avanço expressivo dos casos de burnout.
Leia Mais
Entre 2021 e 2024, os afastamentos por burnout aumentaram 493%, deixando claro que não se trata de problema pontual, mas de consistente agravamento do sofrimento psíquico relacionado ao trabalho.
O psiquiatra Daniel Sócrates, da Unifesp, é referência no tratamento de burnout, ansiedade e exaustão emocional, com foco em profissionais de alta performance, executivos e lideranças que operam sob pressão constante. De acordo com ele, vive-se momento histórico no ambiente corporativo brasileiro devido à atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que passa a incluir oficialmente fatores psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais.
Pela primeira vez, a saúde mental deixa de ser tema opcional ou apenas ligado ao bem-estar e passa a ser obrigação legal das empresas, que deverão identificar, avaliar e gerenciar riscos relacionados à organização do trabalho.
Segundo o médico, o fenômeno atual vai além dos casos visíveis, abarcando não apenas quem adoeceu, mas quem está adoecido e continua funcionando.
A Síndrome de Burnout, ou Síndrome do Esgotamento Profissional, foi oficialmente reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como fenômeno ocupacional. Diferente do estresse comum, o burnout é a resposta crônica ao estresse que não foi gerenciado com sucesso.
As principais causas são carga de trabalho excessiva; falta de controle; sentimento de impotência sobre processos ou decisões; desequilíbrio de recompensa; e, por fim, conflitos de valores, quando a ética do profissional vai de encontro às práticas da empresa.
O burnout não é apenas cansaço. Ele pode levar a distúrbios cardiovasculares, depressão profunda, abuso de substâncias e ao fenômeno da despersonalização, ou seja, quando o profissional se torna cínico e indiferente aos colegas e clientes.
Agora as empresas têm de cuidar dessa área. Resta saber se profissionais em posição de gerência estão aptos para lidar empaticamente com as pessoas e se eles têm sensibilidade para perceber o que pode estar acontecendo com os membros de sua equipe.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Isabela Teixeira da Costa/Interina
