A vida sempre nos traz boas surpresas. No último fim de semana, fui para Vitória, para o aniversário de 70 anos de uma grande amiga, da época da nossa adolescência. Fiquei em um hotel em Vila Velha, na Praia da Costa, de frente para o mar. Afinal, mineiro que é mineiro, quando vai para a praia, quer ficar olhando para o mar.

 


Sou madrugadora, acordo cedo naturalmente e, quando durmo fora da minha casa, além de acordar cedo, meu sono é pingado, acordo às 4h, cochilo mais um pouco, acordo às 5h, mais uma cochilada, acordo às 5h30, cochilo de novo, até que me rendo e levanto às 6h.

Fui das primeiras a descer para tomar café da manhã. Tinha um casal e um senhor. Acabei sentando próximo da mesa desse senhor, de frente para o mar. Como toda pessoa que está sozinha em uma mesa, comecei a mexer no celular e, delicadamente, ele me interrompeu puxando conversa. Falou que eu comia muito pouco, expliquei que era operada bariátrica, por isso comia pouco e devagar, e ele sugeriu que eu largasse o celular e prestasse atenção só na refeição. 

Ele também é mineiro, de Belo Horizonte, e estava vindo embora naquela manhã. Contou que foi professor de inglês e português no Colégio Santo Agostinho por 35 anos, se aposentou lá. Depois que a esposa faleceu, vendeu seu apartamento e comprou um sítio na Serra da Moeda.

Chama-se Roberto, mas não falamos o sobrenome. Tem dois filhos, quatro netos e dois bisnetos. Como ele tem cachorro, papagaio, periquito e outros animais no seu sítio, só tira férias quando os filhos também estão de férias, assim eles fazem um rodízio: ele viaja uma semana, e os filhos cuidam do sítio. Quando retorna, os filhos saem de férias.

Falamos sobre alimentação – ele é vegetariano há 40 anos –, suplementação vitamínica, trabalho – foi professor do Nikolas Ferreira, ainda pequeno, em um colégio na região do Vista Alegre. Comentei que acho o Nikolas muito corajoso, ele disse que o deputado é do bairro Vista Alegre, região perigosa, e que, desde pequeno, ele é assim, muito corajoso. 

Nos despedimos e ele disse “que bom que a gente ainda conhece gente boa neste mundo”. Concordei e completei “é, porque, ultimamente, só temos conhecido gente ruim”, e ele: “É porque eles dão ibope e a gente, não”.

Fiquei pensando nisso. Que pena que nós, da mídia, só mostramos com tanto alarde os que não prestam, e que pena que as pessoas só repercutem com tanto estardalhaço as notícias ruins ou de quem não presta. Temos que divulgar? Claro, porque, se não o fizermos, quem fará? Como as pessoas ficarão sabendo o que os ruins estão fazendo contra nós, contra a sociedade, contra o mundo? Mas podíamos equilibrar e dar a mesma força, o mesmo enfoque e a mesma repercussão para os bons. 

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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