A disputa interna do PL por uma vaga ao Senado em Minas Gerais escancarou, nas últimas semanas, um racha que atravessa o bolsonarismo no estado e dialoga com impasses nacionais da direita. O conflito não se resume a nomes, mas a uma definição estratégica: apostar na ampliação de alianças ou preservar uma atuação mais restrita ao núcleo ideológico.
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O embate ganhou corpo com a circulação, em ambientes partidários, de um texto atribuído a um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. O documento passou a circular entre deputados e conselheiros do PL e chegou a diferentes alas da legenda, alimentando a disputa interna.
No texto, o autor atribui a Domingos Sávio, deputado federal e presidente estadual do PL, uma estratégia de aproximação com o governador Romeu Zema (Novo) como forma de viabilizar sua candidatura ao Senado. A análise sugere que a eventual aliança poderia neutralizar adversários internos, mas aponta riscos políticos, como o desgaste de Zema junto a segmentos das forças de segurança e o histórico de tensões do governador com Bolsonaro.
O documento relembra declarações de Zema durante a pandemia — quando criticou aglomerações — em contraste com a postura adotada por Bolsonaro à época. Também menciona a atuação parlamentar de Domingos Sávio, citando críticas à desinformação sobre vacinas durante a tramitação do PL 826/2019, que criou o Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas.
Cristiano Caporezzo, deputado estadual da legenda, aparece no texto como um dos nomes mais identificados com a pauta ideológica do bolsonarismo em Minas. Cabo da Polícia Militar, ele foi autor da lei que proibiu a exigência de passaporte vacinal em Uberlândia (Triângulo) e atuou ao lado do deputado Sargento Rodrigues (PL) na defesa de pautas ligadas às forças de segurança.
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A assessoria de Caporezzo confirma que recebeu o documento, assim como outros parlamentares do partido. A circulação do texto expôs e aprofundou as divisões internas.
O pano de fundo é um cenário eleitoral ainda em aberto. Pesquisa do Instituto Real Time Big Data aponta a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), na liderança da corrida pelo Senado em Minas, com cerca de 17% das intenções de voto. Ela é seguida pelo ministro Alexandre Silveira (PSD), com 13%. Domingos Sávio aparece com aproximadamente 7%. O levantamento indica ainda um elevado índice de indecisos: 17% no primeiro voto e 25% no segundo.
Outras pesquisas reforçam a fragmentação do eleitorado. Em levantamento divulgado pela CartaCapital, Caporezzo aparece com 11,4%, enquanto Domingos Sávio soma 9,8%. Já pesquisa do Instituto F5 Atualiza Dados mostra Sávio com 9%, empatado com Marília Campos e à frente de Caporezzo e Eros Biondini, outro parlamentar do PL, que registram cerca de 3%.
No partido, Sávio é visto por aliados como o nome mais estruturado do PL em Minas, com capilaridade regional, controle da máquina partidária e capacidade de interlocução para além do campo ideológico. Sua atuação é descrita como mais institucional e voltada à construção de alianças.
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Caporezzo, por sua vez, ocupa um polo mais identitário da disputa. Em entrevistas, afirma que Bolsonaro pretende influenciar diretamente a definição das duas vagas ao Senado em Minas e sustenta que teria apoio do ex-presidente. Seus aliados avaliam que a estratégia passa pela articulação com lideranças nacionais do bolsonarismo, movimento que já rendeu apoio público do deputado estadual Bruno Engler.
Nos bastidores, dirigentes da legenda avaliam que a multiplicação de pré-candidaturas, diante de ao menos sete nomes que circulam internamente, pode dispersar votos e fragilizar o partido na disputa majoritária. O dilema, reconhecem, é decidir se o PL prioriza competitividade eleitoral ou coerência ideológica em um cenário ainda marcado pela ausência de uma liderança unificadora.
Inclusão
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), sancionou ontem duas leis aprovadas pela Câmara Municipal, com publicação no Diário Oficial do Município: a primeira, já em vigor, garante o direito à vacinação domiciliar para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), iniciativa do vereador Diego Sanches (Solidariedade), com o objetivo de reduzir barreiras sensoriais no acesso à imunização; a segunda regulamenta as feiras de adoção de animais domésticos na capital, estabelecendo critérios de higiene, ventilação, proteção contra intempéries e prioridade para animais vacinados e vermifugados, proposta pelos vereadores Wanderley Porto (PRD) e Dr. Bruno Pedralva (PT), e passa a valer em 30 dias.
Crítica de ex-base
Horas após a prefeitura oficializar o reajuste de 8,7% na tarifa do transporte público, que passa de R$ 5,75 para R$ 6,25 a partir de 1º de janeiro de 2026, o vereador Helton Júnior (PSD) classificou o aumento como “dois passos pra trás”. O ex-vice-líder do governo Damião afirmou que a medida contraria avanços recentes, como a Tarifa Zero aos domingos e a ampliação das linhas noturnas. Para ele, o problema é estrutural e decorre de um contrato que não penaliza a baixa qualidade do serviço. Segundo o vereador, ônibus ruins afastam usuários, reduzem a arrecadação e mantêm um sistema deficitário.
Oposição
A vereadora Iza Lourença (PSOL) também afirmou que vai atuar para barrar o aumento. Para ela, a prefeitura transfere novamente à população o custo da mobilidade e ignora alternativas de financiamento, como a Tarifa Zero. O vereador Pedro Patrus (PT) criticou o volume de recursos públicos destinados às empresas de ônibus, que devem ultrapassar os R$ 500 milhões. Segundo ele, o aporte não se reflete na melhora do serviço.
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Sem visita
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ontem pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para autorização de visita do sogro no Hospital DF Star, em Brasília, onde ele está internado para tratar crises de soluço e se recuperar de uma cirurgia para correção de hérnias, sob a justificativa de que as circunstâncias excepcionais da internação exigem medidas para garantir a segurança e a disciplina da unidade hospitalar.
