Moradores de uma área rural da Califórnia observaram fachos intensos de luz brilhando a partir de montanhas durante a noite. O teste com estruturas móveis perto de Lone Pine, na região de Sierra Nevada, simulou a proposta da startup norte-americana Reflect Orbital: lançar milhares de espelhos espaciais para refletir luminosidade solar na Terra após o anoitecer.

A companhia planeja enviar 50 mil satélites para o espaço na próxima década. Em julho, a Federal Communications Commission (FCC) aprovou o lançamento de um satélite de teste previsto para o próximo ano. O equipamento entrará em órbita com um espelho de 18 metros de diâmetro para projetar faixas de luz de 4.830 metros de largura, variando da força do luar até o brilho do sol ao meio-dia.

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Aplicações planejadas pela startup

A demonstração luminosa foi comparada ao brilho de uma lua cheia. A empresa projeta acionar os feixes solares por meio de comandos em aplicativo para diferentes finalidades:

  • apoiar equipes de busca e salvamento em operações noturnas;

  • iluminar plantações agrícolas durante a noite;

  • substituir a iluminação pública em postes danificados;

  • abastecer operações militares com energia solar;

  • direcionar raios solares para painéis fotovoltaicos à noite, reduzindo a queima de combustíveis fósseis.

Representantes da empresa declararam que mantêm conversas com pesquisadores para desviar os feixes de observatórios, parques nacionais e locais com concentração de animais. A startup afirmou que pretende atuar junto a governos e autoridades regulatórias.

Alertas de cientistas e astrônomos

Apesar das promessas comerciais, ambientalistas e cientistas criticam o plano. Em agosto, quatro entidades representadas pela organização Earthjustice solicitaram à FCC a revisão da licença concedida. O grupo contesta a instalação dos satélites a cerca de 645 quilômetros (400 milhas) de altitude.

Espécies de aves, insetos e mamíferos dependem da alternância natural entre dia e noite para alimentação, abrigo e reprodução. Especialistas também apontam riscos ao ciclo de sono dos seres humanos e advertem que olhar diretamente para o clarão pode provocar lesões nos olhos, da mesma forma que ocorre durante um eclipse solar.

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Astrônomos afirmam que a iluminação artificial agrava a poluição luminosa, amplia o volume de satélites em órbita, atrapalha a observação de estrelas e eleva o lixo espacial. Pesquisadores do clima também rejeitam a ideia de direcionar energia solar adicional para a superfície terrestre em meio ao aquecimento global.

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