Pecuarista doa 300 bisões em 1993, e anos depois o rebanho supera 2 mil animais com um papel que vai além dos números na recuperação de um ecossistema ameaçado
Após doação histórica em 1993, manada se multiplicou e restaurou pradaria rara nos EUA; veja como animais transformaram a biodiversidade local
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Em 1993, a família Adams doou 300 bisões-americanos criados no rancho Ken-Ada para uma área de pradaria em Oklahoma. Atualmente, mais de 2.000 animais vivem no local e auxiliam na recuperação de um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. A organização The Nature Conservancy iniciou a formação dessa reserva em 1989, por meio da compra de terras.
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O rebanho atinge cerca de 2.700 indivíduos no verão, incluindo os filhotes nascidos no período. No outono, vaqueiros e funcionários realizam um manejo com exames de saúde, pesagem e vacinação. A equipe aplica transmissores em brincos eletrônicos para registrar idade, peso, condições sanitárias e histórico reprodutivo de cada exemplar.
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Impacto no solo e na vegetação
Os hábitos de alimentação e movimentação dos animais moldam a paisagem. Ao se alimentarem preferencialmente de gramíneas, eles impedem a predominância de poucas espécies vegetais e estimulam uma flora diversificada.
A presença dos animais altera o solo de três formas:
o pisoteio revolve áreas de terra e espalha nutrientes pelo esterco;
o hábito de rolar no chão cria depressões circulares na terra;
essas depressões rasas acumulam água da chuva e servem de abrigo para insetos e pequenos animais.
Manejo com fogo controlado
O pastejo atua em conjunto com queimadas prescritas. Sem intervenções regulares, plantas lenhosas avançam sobre os campos abertos e reduzem o espaço das espécies adaptadas à pradaria. A organização adota queimas controladas em diferentes setores ao longo do tempo.
As áreas recém-queimadas produzem brotos novos, enquanto os trechos intactos mantêm vegetação mais antiga. Os bisões transitam entre esses ambientes, recriando processos ecológicos históricos e impedindo a proliferação excessiva de árvores e arbustos.
Diversidade comprovada em pesquisas
Um estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", em agosto de 2022, comprovou esses efeitos ecológicos. Conduzida na estação Konza Prairie, no Kansas, a pesquisa avaliou quase trinta anos de dados sobre a vegetação em diferentes condições de manejo.
Os cientistas constataram que a riqueza de plantas nativas foi 103% maior em parcelas pastejadas por bisões em relação a áreas sem grandes herbívoros. Em escalas maiores de captação, o índice foi 86% superior. O efeito positivo se manteve inclusive durante períodos de seca severa.
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A pradaria de capim-alto ocupava originalmente 14 estados norte-americanos, estendendo-se do Texas até Minnesota e regiões do Canadá. O avanço agrícola e o crescimento urbano restabeleceram o ecossistema a menos de 4% de sua área original, concentrada hoje em Oklahoma e no Kansas. A Joseph H. Williams Tallgrass Prairie Preserve protege mais de 700 espécies de plantas, 300 de aves e cerca de 80 de mamíferos.