O que realmente melhora a qualidade de vida? Ao olhar para o Paleolítico, antropólogo propõe uma resposta que vai além do dinheiro e passa pelo aprendizado
Para Juan Luis Arsuaga, viver mais exige mente ativa e prazeres simples; saiba como os hábitos certos garantem longevidade e bem-estar no dia a dia
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O antropólogo e paleontólogo espanhol Juan Luis Arsuaga atua como uma das principais referências da divulgação científica na Espanha. Especialista em evolução humana, dedicou a carreira a pesquisar a origem, a biologia e o comportamento da nossa espécie, além de escrever diversos livros sobre esses temas.
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Em seu ensaio recente intitulado "La Respuesta" (A Resposta), o catedrático examina o que a humanidade representa e as razões da nossa existência. O livro reflete sobre a longevidade e as mudanças vivenciadas pelo bem-estar humano desde o Paleolítico até o período contemporâneo.
Durante essa análise, Arsuaga estabelece uma distinção clara entre acumular anos de vida e manter uma condição física e mental adequada. O pesquisador questiona o significado real da qualidade de vida, apontando que a resposta não reside no acúmulo financeiro ou na posse de bens materiais.
A fórmula para aproveitar a existência
Em declarações concedidas à revista "Esquire", o especialista sustentou que, após suprir as necessidades essenciais, os indivíduos não dependem de fatores materiais para viver bem. Ele afirma que o bem-estar decorre da capacidade de valorizar as relações humanas, a gastronomia e os momentos simples da rotina.
"A qualidade de vida não consiste em ter mais dinheiro, mas sim em desfrutar das coisas. E a minha fórmula para desfrutar é aprender", ressaltou o paleontólogo durante a entrevista.
Arsuaga adverte que aproveitar a rotina exige determinação pessoal e atitude. Para o autor, não basta dispor de tempo livre, sendo indispensável aprender a valorizar cada vivência simples sem a exigência de gastos financeiros: "o melhor da vida é grátis".
O aprendizado envolve desde a convivência com os netos até o consumo de sushi, sob a lógica de quantidades moderadas com qualidade elevada. Ao citar a culinária italiana, Arsuaga exemplificou que encontrar um restaurante que prepare uma versão de espaguete à carbonara da Puglia representa um processo direto de conhecimento.
Os limites do tempo e os hábitos práticos
Ao abordar os esforços modernos para prolongar a existência, Arsuaga ponderou sobre os limites biológicos. Ele declarou que os avanços na longevidade perdem o sentido caso a medicina não resolva a demência senil, rejeitando a perspectiva de viver 120 anos em uma cadeira sem consciência da realidade.
Como contraponto prático, o antropólogo citou a própria mãe, que conserva vitalidade aos 95 anos de idade. Historiadora da arte, ela continua visitando exposições artísticas, cenário que Arsuaga atribui a fatores genéticos aliados a uma conduta espontânea ao longo dos anos:
prática constante de exercícios físicos;
hábito de caminhar longas distâncias;
restrição calórica diária;
consumo reduzido de gorduras e carne;
abstenção de bebidas alcoólicas;
ausência de tabagismo.
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Arsuaga reconhece que nem todas as pessoas alcançam idades avançadas conservando um padrão elevado de bem-estar, mas manifestou o desejo de reproduzir a trajetória de sua mãe.