DISCRETOS

Oncogeriatra do Sírio-Libanês alerta para sinais de câncer em idosos que famílias normalizam como envelhecimento natural

Morte do maestro Roberto Tibiriçá reacende debate sobre sintomas discretos que podem indicar a doença

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A despedida ao maestro Roberto Tibiriçá, falecido aos 72 anos no último dia 3 de outubro de 2026, em São Paulo, onde se tratava de um câncer, reacendeu uma discussão crucial: a atenção a sinais de saúde que, na terceira idade, podem ser discretos, mas indicam problemas graves.

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Muitas vezes, sintomas importantes são ofuscados pela crença de que são apenas coisas da idade, um equívoco que pode atrasar diagnósticos e tratamentos essenciais.

Por que alguns sintomas são ignorados em idosos?

O principal desafio é diferenciar os sinais do envelhecimento natural daqueles que apontam para uma doença. Uma fadiga persistente ou uma perda de peso sutil podem ser facilmente atribuídas à rotina ou à idade avançada.

Segundo André Vianna, oncogeriatra do Hospital Sírio-Libanês, a normalização de queixas é comum. Tanto o paciente quanto a família podem se acostumar com uma dor crônica ou um cansaço constante, adiando a busca por avaliação médica especializada, explica o médico.

Quais sinais não podem passar despercebidos?

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforça que a observação de mudanças persistentes no corpo é fundamental. A atenção deve ser redobrada para um conjunto de sintomas que, isoladamente ou

combinados, fogem do padrão de saúde da pessoa. Fique atento a:


    • Perda de peso inexplicada: emagrecer mais de 5 kg sem fazer dieta ou aumentar a atividade física é um forte sinal de alerta.



    • Cansaço extremo e contínuo: uma fadiga que não melhora com o descanso e atrapalha as atividades diárias merece investigação.



    • Alterações na pele: novas pintas, feridas que não cicatrizam ou mudanças na aparência de lesões antigas.



    • Dificuldade para engolir ou rouquidão: problemas persistentes na deglutição ou mudanças na voz que duram semanas.



    • Mudanças no hábito intestinal ou urinário: diarreia ou constipação frequentes, sangue nas fezes ou na urina e necessidade constante de urinar.


Todo cansaço ou dor na terceira idade é sinal de câncer?

Não. É crucial afastar o pânico. A maioria das dores e desconfortos em pessoas idosas tem causas benignas, como artrose ou outras condições crônicas. O que diferencia um sintoma preocupante é a sua persistência e a mudança que ele representa.

O sinal de alerta não é a dor isolada, mas o sintoma que foge do habitual daquela pessoa e não melhora, esclarece o oncogeriatra André Vianna. Uma queixa nova e insistente é o que justifica uma consulta médica imediata.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia recomenda que idosos mantenham uma rotina de exames anuais e um diálogo aberto com seu médico. Relatar qualquer alteração, por menor que pareça, é a ferramenta mais poderosa para um diagnóstico precoce.

Quando detectado em estágios iniciais, o tratamento do câncer em idosos apresenta taxas de sucesso muito maiores, permitindo o controle da doença e a manutenção da qualidade de vida.

Na terceira idade, ouvir o próprio corpo e não normalizar o que é anormal é o primeiro passo para uma vida mais longa e saudável.

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