RAIVA

Reação neurológica ou desvio de caráter: por que o cérebro humano dispara um gatilho de fúria incontrolável ao se sentir desrespeitado durante o trânsito diário

Investigação de homicídio traz à tona o perigo das brigas de rua; saiba qual é o limite exato entre o estresse comum e o surto que acaba em tragédia

Publicidade
Carregando...

A fúria que explode por uma fechada no trânsito não é um desvio de caráter, mas uma resposta neurológica real e quase instantânea do cérebro. A morte do cirurgião-dentista Carlos Boulos, atropelado no último dia 3 de outubro em São Paulo durante uma briga de trânsito, trouxe à tona a urgência de entender por que situações cotidianas podem levar a desfechos tão trágicos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!





O caso, investigado como homicídio pela Polícia Civil de São Paulo, expõe um gatilho comum: a percepção de uma ameaça ou desrespeito ao volante. Mas o que acontece dentro da nossa cabeça nesses segundos de descontrole?


Por que o trânsito é um gatilho tão poderoso?


O trânsito reúne anonimato, estresse e a necessidade de tomar decisões rapidamente. Nesse contexto, dentro do carro, a sensação de proteção pode fazer com que o outro motorista seja desumanizado e passe a ser visto apenas como um obstáculo metálico.


Por isso, essa combinação favorece o que os especialistas chamam de "sequestro da amígdala", uma reação cerebral primitiva que pode interromper o pensamento lógico em questão de segundos.


O que é o ‘sequestro da amígdala’ ao volante?


Neurocientistas explicam que a amígdala funciona como uma espécie de central de alarme do cérebro. Assim que identifica uma ameaça, como uma fechada brusca no trânsito, ela aciona a resposta de luta ou fuga antes que o córtex pré-frontal, responsável pela razão e pelo planejamento, consiga avaliar o que está acontecendo.





Como resultado, ocorre uma espécie de curto-circuito. A amígdala assume o controle e, então, provoca a liberação de adrenalina e cortisol pelo organismo. Nesse momento, a capacidade de avaliar a situação de forma crítica diminui e a pessoa tende a agir por impulso, como se precisasse responder a uma ameaça de sobrevivência, ainda que o perigo real seja pequeno.


É possível treinar o cérebro para não explodir?


Sim, o autocontrole pode ser desenvolvido com técnicas de autorregulação. Especialistas apontam que a chave é criar um espaço de tempo entre o gatilho e a reação, permitindo que a parte racional do cérebro retome o controle. Algumas estratégias são eficazes:





A primeira é a respiração diafragmática: inspirar lentamente pelo nariz contando até quatro e expirar pela boca contando até seis. Isso ativa o sistema nervoso parassimpático, que acalma o corpo.


Outra tática é a reinterpretação cognitiva. Em vez de pensar ele me cortou de propósito, questione-se: será que ele não me viu? Ou está com uma emergência?. Mudar a narrativa interna quebra o ciclo da raiva.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


A segurança no trânsito começa muito antes de ligar o carro: ela nasce na capacidade de gerenciar as próprias emoções.


Tópicos relacionados:

raiva saude transito

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay