Imunoterapia e inteligência artificial no câncer colorretal, exossomos no tratamento de fístula anal, uso de DNA tumoral circulante (ctDNA) para identificar o risco de recidiva do câncer, terapia regenerativa na incontinência fecal e o maior estudo epidemiológico brasileiro sobre doenças inflamatórias intestinais são alguns dos destaques do 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, organizado pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC), de 24 a 26 de setembro.
O evento, considerado o maior da especialidade na América Latina, reunirá 291 palestrantes e pesquisadores nacionaise internacionais. Serão 12 cirurgias e colonoscopias realizadas ao vivo e transmitidas online, diretamente de quatro hospitais de Santa Catarina: Unimed Litoral, em Balneário Camboriú; Hospital Santa Isabel, em Blumenau; SOS Cardio e Hospital de Caridade, em Florianópolis.
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“Nosso congresso é o maior da América Latina e queremos fortalecer cada vez mais o Brasil como hub de ensino da coloproctologia. Teremos um encontro com as sociedades de coloproctologia da América Latina para adotar medidas comuns e promover o intercâmbio de conhecimento e prática”, afirma o presidente do congresso, o coloproctologista Gustavo Becker.
O encontro reunirá representantes das sociedades de coloproctologia do Chile, Peru, Argentina, México, Paraguai, Colômbia e República Dominicana, ampliando a integração entre especialistas da região.
Câncer colorretal: imunoterapia trata sem necessidade de cirurgia
Terceiro tumor mais frequente no país (excluindo os tumores de pele não melanoma), com 53.810 pessoas afetadas por ano, o câncer colorretal será tema central de várias discussões do congresso. Entre os destaques está a evolução da imunoterapia no tratamento, especificamente para tumores com instabilidade de microssatélites alta (MSI-H) ou deficiência no reparo do DNA (dMMR). Eles representam cerca de 15% dos tumores, mas apresentam ótima resposta à imunoterapia.
“A imunoterapia já é uma realidade. Hoje em dia, para câncer de colón metastático com o perfil de instabilidade demicrossatélites(MSI-H), o padrão já é imunoterapia em primeira linha, sem a necessidade de quimioterapia”, explica Diogo Bugano, oncologista clínico no Hospital Israelita Albert Einstein.
“A imunoterapia também tem mostrado bons resultados para tumores instáveis localizados. O medicamento dostarlimabe mostrou taxa de resposta completa em quase 100% dos canceres de reto MSI-H e o medicamento atezolizumabe reduziu a taxa de recidiva em 50% quando usado na adjuvância de câncer colorretal MSI-H ressecado. Os dois medicamentos já são aprovados nos Estados Unidos e devem ser aprovados no Brasil nos próximos meses”.
O desafio, segundo ele, tem sido usar imunoterapia para tumores sem instabilidade de microssatélites. “Para estes, a pesquisa tem se focado em novos tipos de imunoterapia, que em geral atuam em dois ou mais alvos ao mesmo tempo”, complementa Bugano.
Além da imunoterapia, o congresso discutirá o uso do DNA tumoral circulante (ctDNA) como ferramenta para acompanhar pacientes após o tratamento e identificar, de forma mais precoce, aqueles com maior risco de recidiva. A tecnologia pode ajudar a selecionar quais pacientes precisam de tratamento adicional e quais podem ser acompanhados com maior segurança, avançando em direção a uma medicina cada vez mais personalizada.
“Com esse marcador podemos avaliar a resposta ao tratamento e também verificar se há micrometástases que não foram diagnosticadas por outros exames”, explica Gustavo Becker.
Os métodos diagnósticos para o câncer colorretal também têm evoluído. “Hoje temos colonoscopias de alta resolução e ferramentas de IA para detecção de lesões planas e/ou muito pequenas, que poderiam passar despercebidas”, afirma o presidente da SBCP, Olival de Oliveira Jr.
Haverá um curso e mesas-redondas debatendo a IA na coloproctologia. “A inteligência artificial já está ampliando a precisão em diferentes etapas do tratamento do câncer colorretal. Na colonoscopia, ela ajuda a identificar e caracterizar pólipos em tempo real, reduzindo o risco de lesões passarem despercebidas e evitando procedimentos desnecessários. Na cirurgia, pode auxiliar na identificação de estruturas anatômicas e áreas de risco. E, na oncologia, vem sendo utilizada para prever respostas a quimio e radioterapia e apoiar decisões terapêuticas mais individualizadas. É um avanço que combina mais precisão, segurança e personalização no cuidado ao paciente”, explica Roland Dagnoni, coordenador do curso avançado em inteligência artificial aplicada à medicina do CBC2026.
Exossomos, PDRN e terapias celulares
Tratamentos que têm dado esperança a portadores de fístulas perianais complexas também terão espaço no evento. Exossomos, PDRN e terapias celulares têm sido estudados para melhorar a cicatrização de fístulas perianais complexas e feridas perineais – muito comuns em pacientes com doença de Crohn –, deiscências e tecidos comprometidos por radioterapia ou múltiplas cirurgias.
“Já existem ensaios clínicos randomizados nessa área, embora os resultados mais recentes ainda sejam conflitantes. O PDRN apresenta resultados clínicos interessantes em cicatrização de feridas, mas ainda há pouca evidência específica em coloproctologia. Os exossomos, por sua vez, apresentam forte racional biológico e resultados experimentais promissores, mas ainda não têm evidência clínica suficiente para uso rotineiro”, diz o coloproctologista Matheus Meyer.
Divulgação do maior estudo epidemiológico brasileiro
As doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, também estarão entre os principais assuntos do congresso. O evento apresentará o resultado do maior estudo epidemiológico brasileiro sobre essas doenças, com dados que podem contribuir para compreender melhor o perfil dos pacientes no país e aprimorar estratégias de diagnóstico e tratamento.
A programação também abordará doenças funcionais do intestino, endometriose intestinal e novas tecnologias para doenças orificiais, temas que ampliam a atuação da coloproctologia e reforçam a integração da especialidade com outras áreas da medicina.
Terapia celular na incontinência fecal
Outra novidade é o uso da terapia celular no tratamento da incontinência fecal. Cirurgiã colorretal do Orlando Health e professora associada clínica da Florida State University (FSU), uma das principais investigadoras do estudo DigniFI, pesquisa que avalia células autólogas derivadas de uma pequena amostrado músculo esquelético na restauração da função do músculo lesionado, Margarita Murphy estará no Brasil.
O trabalho é uma das principais esperanças para quem tem incontinência fecal, condição caracterizada pela perda involuntária de fezes ou conteúdo intestinal. Estima-se que cerca de um em cada 12 adultos no mundo apresente algum grau de incontinência fecal,com prevalência maior entre mulheres e pessoas mais velhas.
O congresso
O 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia é o maior congresso da especialidade na América Latina, o segundo maior do mundo e é organizado pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia anualmente. Este ano, o evento contará com 291 palestrantes e pesquisadores nacionais e internacionais na área de coloproctologia. O evento discutirá as principais novidades em câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais (doença deCrohn e retocolite ulcerativa), constipação, hemorroidas, incontinência fecal, prolapso retal, fístula, cirurgia robótica, entre outros.
SERVIÇO
74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia
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24 a 26 de setembro
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8h às 18h30
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No Expocentro Balneário Camboriú Júlio Tedesco
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Av. Marginal Oeste, s/n – Nova Esperança
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Balneário Camboriú – SC
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Programação: www.coloprocto2026.com.br
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