ENTREVISTA

A beleza do autocuidado: especialista cria método de exercícios faciais

Cirurgiã-dentista Ângela Bertoja lança o livro "Manual de embelezamento através do autocuidado", em que fala sobre uma nova forma de encarar a beleza e a vida

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Mestre e doutora em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a cirurgiã-dentista Ângela Bertoja especializou-se em harmonização orofacial, além de atuar como professora de implantodontia na Sociedade Brasileira de Cirurgiões-Dentistas (Sobracid), no Rio Grande do Sul, e na especialização em implantodontia. Em entrevista ao Bem Viver, ela fala da importância do autocuidado e sobre a associação entre harmonização orofacial, exercícios, massagens e cuidados diários. A partir daí, começou a desenvolver um método que unisse harmonização, anatomia e fisiologia, e essas técnicas de autocuidado. Foi assim que ela lançou o método maestria facial.

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A partir de que idade, homens e mulheres devem começar a se preocupar com a saúde da pele?


Eu acredito que a gente deve começar a se cuidar desde sempre. O autocuidado é um hábito que vamos construindo ao longo da vida, e quanto antes começarmos, melhor.


Desde criança já podemos aprender a cuidar da pele, como lavar corretamente o rosto e manter bons hábitos. Na adolescência, esse cuidado também é muito importante, principalmente por causa da acne. Saber cuidar adequadamente da pele pode ajudar a diminuir seus efeitos e, em alguns casos, até evitar que seja necessário recorrer a tratamentos mais intensos.


Ao mesmo tempo, percebo que muitas pessoas começam a se preocupar mais com a pele quando passam a notar os primeiros sinais do envelhecimento. E nunca é tarde para começar. O importante é entender que o cuidado com a pele deve fazer parte da vida, e não começar apenas quando os sinais do envelhecimento aparecem.


Quais são as principais queixas de seus/suas pacientes?


Entre as queixas relacionadas ao envelhecimento, vejo principalmente o aumento do bigode chinês, a linha da marionete, a queda das pálpebras, a flacidez e as rugas, ou seja, todas essas mudanças que vão acontecendo com o chamado “derretimento facial”.


Muitas vezes, essas transformações fazem com que a pessoa passe a se sentir menos satisfeita com a própria aparência e procure maneiras de melhorar.


Outra queixa muito frequente é o bruxismo. Nesse caso, não é necessariamente uma questão relacionada ao envelhecimento. Pessoas de diferentes idades me procuram por causa de dores, tensão muscular, desgaste dos dentes e outros sintomas relacionados ao bruxismo.


No que consiste o método maestria facial que você desenvolveu?


O maestria facial é um método de embelezamento a partir do autocuidado. Ele reúne diferentes estratégias que podem ser incorporadas à rotina para cuidar do rosto de forma completa, como exercícios faciais, massagens, cuidados com a pele, suplementação adequada, prevenção das rugas do sono e, principalmente, a conscientização sobre a forma como usamos a musculatura facial ao longo do dia.


Essa conscientização é muito importante. Não adianta fazer exercícios e massagens e, durante o restante do dia, manter a musculatura constantemente contraída, franzir a testa sem necessidade, apertar os dentes ou fazer movimentos repetitivos que podem favorecer determinadas marcas.


O método busca justamente ensinar a pessoa a conhecer melhor a própria musculatura e a utilizá-la de uma maneira mais consciente.


Também acredito que ele possa ser um complemento aos procedimentos estéticos. Por exemplo, se uma pessoa faz toxina botulínica e o efeito dura alguns meses, existem estratégias de autocuidado que podem ajudar a manter os resultados durante o período entre os procedimentos.


E o método também é uma possibilidade para quem não quer fazer procedimentos estéticos ou não tem condições financeiras de realizá-los com frequência. A pessoa não precisa deixar de cuidar da aparência por não querer ou não poder fazer procedimentos.


Mais do que uma técnica para melhorar a aparência, eu vejo o maestria facial como uma oportunidade de a pessoa voltar o olhar para si mesma. É um momento de parar, se dedicar ao próprio corpo e ao próprio rosto, cultivar a autoconexão, o amor-próprio e uma relação mais positiva consigo mesma.


E, junto com tudo isso, vem a questão estética. Eu acredito que tudo aquilo que a gente cuida, a gente deixa mais bonito. Então, o método também é sobre isso: cuidar de si, criar esse momento de conexão e, como consequência, também se sentir mais bonita.


Em seu livro “Manual de Embelezamento”, você fala muito em autocuidado e em exercícios faciais feitos em casa. Em suas redes sociais, você também ensina técnicas naturais de combate ao envelhecimento. Podemos dizer que você é contra procedimentos invasivos quando o assunto é beleza?


Não. Eu não sou contra procedimentos. Acredito que cada pessoa deve decidir como quer se sentir bem e feliz com o próprio rosto.


Se uma pessoa gosta de fazer procedimentos e se sente bem com eles, acho que ela deve fazer, desde que sejam realizados de maneira adequada e segura. Ao mesmo tempo, existem pessoas que não querem injetar produtos no corpo e preferem envelhecer de uma maneira mais natural. E envelhecer naturalmente não significa se descuidar.


Acredito que os procedimentos podem ser excelentes e, em muitos casos, indicados. Mas também é possível cuidar da aparência sem depender deles. E uma coisa não exclui a outra: exercícios e massagens podem inclusive complementar os procedimentos.


Existem também situações em que um procedimento pode ter uma finalidade não apenas estética, mas funcional. Um exemplo é a blefaroplastia quando há excesso de pele nas pálpebras, que pode pesar sobre os cílios, dificultar a abertura dos olhos e até interferir na visão. Nesses casos, o procedimento pode contribuir tanto para a função quanto para a estética.


Como conter essa avalanche de excessos de procedimentos estéticos que levam as pessoas, muitas vezes jovens, a mudar as feições em busca do rosto ou do corpo perfeito?


Eu acredito que cada pessoa tem o direito de decidir o que quer fazer com o próprio corpo. Mas, pessoalmente, não gosto dos excessos. Foi justamente por isso que me aproximei cada vez mais do conceito de embelezamento através do autocuidado.


Na minha opinião, a busca por um rosto considerado “perfeito” pode acabar descaracterizando a pessoa. Às vezes, tantos procedimentos e alterações fazem com que ela deixe de parecer com ela mesma e, inclusive, podem comprometer a harmonia do rosto.


Existem procedimentos que realmente podem deixar uma pessoa mais bonita e, dentro da minha própria área, temos exemplos importantes. Na cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, por exemplo, existe a cirurgia ortognática, que pode proporcionar uma grande mudança na harmonia facial quando existe uma discrepância importante entre as estruturas ósseas.


Mas acredito que essa onda de exageros também tenha um ciclo. O que vira moda costuma chegar a um ápice e depois recuar. Já percebo uma busca maior por resultados mais naturais e harmoniosos, e acredito que essa tendência deve se fortalecer.


Como você tem lidado com esse conflito entre médicos e cirurgiões-dentistas com relação à harmonização orofacial?


Eu não costumo me envolver muito nesse conflito. Inclusive, atendo muitos médicos e recebo indicações de pacientes deles, principalmente pelo meu trabalho com bruxismo e enxaqueca utilizando toxina botulínica.


Acredito que cada profissão tem o seu espaço e que precisamos ter diretrizes claras para que cada profissional atue dentro da sua área de competência e da sua formação.


Na minha opinião, a odontologia tem conhecimento suficiente para realizar muitos procedimentos relacionados à região da face, mas também acredito que a atuação nessa área precisa estar associada a uma formação muito específica e adequada.

Eu, pessoalmente, sou contra procedimentos que extrapolem aquilo que considero compatível com a formação e o ambiente de atuação do profissional. Um exemplo seria realizar procedimentos cirúrgicos de lifting facial em um consultório odontológico.

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Acredito que o mais importante é que existam critérios claros, formação adequada e segurança para o paciente, independentemente da profissão do profissional que está realizando o procedimento.

Tópicos relacionados:

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