SETEMBRO VERMELHO

Detector de metais pode afetar o marcapasso? 7 mitos e verdades

De academias e aeroportos ao uso de celular e eletrodomésticos, cirurgião cardíaco esclarece o que muda na rotina de quem convive com o dispositivo

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Com o avanço da medicina e o aumento da longevidade, dispositivos cardíacos como o marcapasso passaram a fazer parte da vida de milhares de pessoas, contribuindo para mais segurança e qualidade de vida. Mas, junto com o implante, ainda surgem muitas dúvidas.

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No setembro vermelho, mês em que se destaca a campanha de prevenção às doenças do coração, o cirurgião cardíaco Marcelo Sobral, presidente da Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca (Abec) reuniu sete mitos e verdades sobre o uso do dispositivo.

1. Passar por detector de metais ou dispositivos antifurto em bancos, aeroportos e lojas pode afetar o marcapasso?

Verdade. Esses equipamentos podem gerar interferência eletromagnética momentânea, mas dificilmente provocam danos ou desregulam permanentemente o dispositivo. “O paciente deve evitar permanecer próximo a detectores antifurto de lojas e, quando possível, manter uma distância de 15 a 20 centímetros”, recomenda.

2. Quem usa marcapasso não pode viajar de avião?

Mito. A presença do dispositivo, por si só, não contraindica viagens aéreas.

3. Depois do implante, posso dormir sobre a região e dirigir normalmente nos primeiros dias?

Mito. Em geral, recomenda-se evitar dormir sobre o local da cirurgia e movimentos amplos do braço por cerca de três a quatro semanas. A retomada da direção, porém, depende do dispositivo e da indicação clínica, podendo variar de um mês a até seis meses em determinadas situações.

4. É possível praticar esportes com o marca passo?

Verdade. A atividade física não é proibida, contudo, esportes de contato, com mais impacto na região do implante, merecem atenção. O marcapasso é bastante resistente, porém os eletrodos são mais sensíveis a traumas de grande intensidade. Isso vale também para musculação, exercícios podem fazer parte da rotina, mas cargas excessivas e esforço de alta intensidade podem aumentar o estresse sobre o dispositivo e até provocar desgaste ou fratura do eletrodo.

5. Um choque elétrico de alta tensão pode alterar o funcionamento do marcapasso?

Verdade. A possibilidade de interferência depende da intensidade e do tempo de exposição à corrente elétrica. Choques domésticos de baixa tensão, em geral, dificilmente causam problemas, mas exposições de maior intensidade exigem avaliação médica.

6. O marcapasso corrige problemas como infarto?

Mito. O dispositivo atua principalmente no tratamento de batimentos cardíacos lentos. Esses dispositivos como marca passo, desfibrilador e ressincronizador não substituem medicamentos nem previnem um infarto, mas são importantes ferramentas de suporte à saúde cardiovascular.

7. Celular e eletrodomésticos estão liberados?

Verdade. De maneira geral, não há restrição ao uso de celulares e eletrodomésticos em boas condições. Em equipamentos como o micro-ondas, porém, é recomendável manter certa distância durante o funcionamento.

O especialista ressalta que o marca-passos não dá sinais, assim, é importante manter o contato próximo com o especialista para saber a hora certa de realizar a troca de bateria cuja duração irá depender de uma série de fatores como modelo, programação e tempo de uso.

Além disso, o paciente pode realizar seus exames normalmente, como raio X, ultrassonografia, tomografia e cateterismo, mantendo atenção à ressonância magnética e eletroneuromiografia por utilizar corrente elétrica.

Mais do que decorar uma lista de proibições, o paciente precisa entender que a indicação do dispositivo e a condição clínica que levou ao implante são determinantes para definir os cuidados de forma individualizada. Por isso, a orientação da Abec é manter o acompanhamento regular com o cardiologista ou médico responsável pelo implante.

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