Insônia é mais frequente entre mulheres e pode se agravar na menopausa
Na pesquisa Vigitel 2024, 36,2% das mulheres relataram pelo menos um sintoma de insônia, ante 26,2% entre os homens; simpósio discute a dependência de drogas Z
compartilhe
SIGA
A saúde do sono da mulher foi um dos temas em destaque na programação do 31º Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia (Sogesp), realizado em São Paulo (SP). A programação chamou atenção para as particularidades da insônia feminina e para os desafios relacionados ao uso prolongado de medicamentos para dormir, especialmente no contexto da menopausa.
Uma das principais atividades do evento foi o simpósio "Insônia na mulher: manejo prático e seguro sem drogas Z", que abordou estratégias para o manejo da insônia feminina e os cuidados relacionados à retirada desses medicamentos.
- Insônia em mulheres com insuficiência ovariana pode envolver genética
- Pesquisa: 30% das mulheres sofrem com ansiedade e depressão
Os dados ajudam a dimensionar o problema. Segundo o Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas, 31,7% dos adultos relataram pelo menos um sintoma de insônia. Entre as mulheres, o percentual chega a 36,2%, ante 26,2% entre os homens. Na faixa de 45 a 54 anos, a frequência entre as mulheres alcança 39,7%.
A relação entre sono e saúde da mulher ganha relevância especialmente durante a menopausa e nos anos seguintes. Nesse período, alterações hormonais, sintomas vasomotores, mudanças de humor e outras condições físicas e psicológicas podem contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas relacionados ao sono. Por isso, a avaliação médica deve considerar as diferentes causas da insônia e as características individuais de cada paciente.
"Desprescrição" das drogas Z
A discussão sobre o tratamento da insônia também ganhou um novo capítulo com a publicação, em 2025, da diretriz da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) sobre uso indiscriminado e dependência de drogas Z, medicamentos não benzodiazepínicos utilizados principalmente para o tratamento da insônia. O documento aborda o diagnóstico e o manejo do abuso e da dependência dessas substâncias e alerta para os riscos associados ao uso prolongado, incluindo dependência e sintomas de abstinência.
Leia Mais
O manejo da insônia deve ser individualizado e seguir uma abordagem escalonada. As diretrizes clínicas recomendam a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como tratamento de primeira linha, por reunir estratégias voltadas à mudança de hábitos, comportamentos e fatores que contribuem para a manutenção do problema. Em situações específicas, o tratamento pode incluir o uso criterioso de medicamentos, sempre considerando o histórico e as características de cada paciente.
Nesse contexto, a retirada das drogas Z deve ser conduzida de maneira gradual e com acompanhamento profissional, especialmente em casos de uso prolongado.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O consenso recente da ABN, publicado na revista Arquivos de Neuro-Psiquiatria, reforça a importância de estratégias de redução gradual (desmame) e do uso criterioso desses medicamentos. O documento também descreve diferentes alternativas farmacológicas que podem ser consideradas em casos selecionados, incluindo trazodona, ramelteona e pregabalina, conforme avaliação do profissional de saúde.