O avanço da obesidade traz consequências que vão muito além da balança. Uma delas pode estar escondida no fígado. A chamada “gordura no fígado”, atualmente classificada como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), está diretamente relacionada a alterações metabólicas e tem entre seus principais fatores de risco a obesidade, o diabetes tipo 2, a hipertensão e o colesterol elevado.
A doença já é considerada a forma mais comum de doença hepática crônica no mundo e atinge mais de 30% da população global. No Brasil, o cenário preocupa diante da alta prevalência do excesso de peso: dados da Pesquisa Nacional de Saúde apontam que 60,3% dos adultos brasileiros apresentam excesso de peso e 25,9% vivem com obesidade.
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“O acúmulo de gordura no fígado muitas vezes é descoberto por acaso, durante exame de rotina, porque pode permanecer sem sintomas por bastante tempo. O problema é acreditar que, por não sentir nada, o paciente não precisa se preocupar. Em uma parcela dos casos, a doença pode evoluir com inflamação (esteatohepatite), fibrose e chegar a quadros mais graves”, explica a gastroenterologista e membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Lourianne Cavalcante.
Segundo o Ministério da Saúde, o excesso de peso está entre as principais causas de gordura no fígado. Quando o acúmulo de gordura progride e está associado à inflamação, pode haver lesão das células hepáticas e desenvolvimento de fibrose. Com o passar dos anos, alguns pacientes podem evoluir para cirrose (fibrose em fase avançada) e risco aumentado de câncer de fígado.
A relação com a obesidade ocorre porque o fígado participa diretamente do metabolismo de gorduras e açúcares. Quando há excesso de gordura corporal e alterações como resistência à insulina, aumenta também a chance de acúmulo de gordura no órgão. Por isso, pessoas com obesidade, diabetes, colesterol ou triglicérides elevados e hipertensão arterial merecem atenção especial.
Mudanças no estilo de vida têm papel importante no controle da doença, especialmente quando ela é identificada precocemente. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, tratamento das comorbidades e uso de medicações, quando necessário, fazem parte dos cuidados.
“Não devemos enxergar a gordura no fígado como uma alteração inofensiva de exame. Ela funciona também como um sinal de que a saúde metabólica precisa de atenção e, além da lesão hepática, do aumento do risco cardiovascular. Quanto mais cedo identificamos os fatores de risco e intervimos sobre eles, maior a possibilidade de evitar a progressão da doença”, reforça a médica.
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Existe uma porcentagem considerável de pessoas magras e também com gordura no fígado, muitas vezes até com progressão mais agressiva da doença. Este quadro merece atenção devido alterações da composição corporal que não são refletidas pelo peso, além de componentes genéticos associados. Outra situação é a associação da doença gordurosa associada ao uso de determinadas medicações.
