Plataformas que simulam uma experiência de compra completa, mas sem o pagamento ou a entrega do produto, ganharam o nome de “sites de dopamina”. Neles, o usuário escolhe itens, lê avaliações, monta um carrinho e acompanha um envio que nunca acontece.

O nome faz referência à dopamina, neurotransmissor ligado aos mecanismos de recompensa e expectativa. A proposta é oferecer o prazer despertado durante o processo de consumo, mas sem o custo financeiro. A sensação de recompensa vem da antecipação, não apenas da conquista.

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Segundo especialistas, pesquisar, comparar preços e imaginar o uso de um produto já pode gerar prazer. Um exemplo é Kim, de 25 anos, que disse ao jornal sul-coreano The Korea Times que acessa um desses sites de madrugada para conter a vontade de pedir comida e economizar.

Plataformas como o Dopamine Shopping replicam a experiência de um e-commerce com categorias de roupas e eletrônicos, incluindo cupons e rastreamento de entrega fictício.

O modelo de negócio por trás da simulação

Embora pareçam contraditórios por não venderem nada, esses sites se baseiam em um modelo valioso na economia digital: observar e registrar o comportamento dos usuários. Cada clique, produto visualizado ou tempo gasto em uma página deixa um rastro de dados.

Esses dados ajudam as plataformas a prever o que o usuário vai querer, mesmo que de forma anônima, por meio de IP e cookies.

Essas informações permitem identificar padrões e criar oportunidades de negócio, como publicidade direcionada e previsão de tendências de consumo para empresas de diversos setores. Além disso, os sites possuem fontes de receita direta, como anúncios, patrocínios e doações.

Impacto no varejo e nos hábitos de consumo

O comércio eletrônico tradicional depende de compras por impulso, estimuladas por notificações, descontos relâmpago e recomendações. Os sites de dopamina podem ameaçar esse modelo ao atenderem ao desejo momentâneo sem que a compra ocorra.

Essas plataformas podem ajudar no controle financeiro, já que cria um intervalo entre o desejo e a decisão é uma técnica para evitar gastos impulsivos. No entanto, o mesmo mecanismo pode reforçar o hábito de consumir.

Isso porque, ao estimular a busca por pequenas doses de prazer, esses ambientes podem manter a pessoa presa ao ciclo de consumo, mesmo sem gastar. Com o tempo, a experiência pode gerar frustração ou perder o encanto, já que tudo permanece no campo da imaginação.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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