O próximo dia 15 marca o Dia da Gestante, data que reforça a importância do acompanhamento integral da saúde materna e fetal. Recentemente, um estudo científico publicado no prestigiado jornal médico JAMA (Journal of the American Medical Association) trouxe uma revelação importante para a rotina pré-natal: reduzir o tempo na posição sentada e incluir movimentações leves ao longo do dia pode diminuir quase pela metade o risco de complicações graves na gravidez, como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia.
A pesquisa monitorou 470 gestantes com sensores de movimento e demonstrou que permanecer mais de dez horas diárias sentada dobra o risco de intercorrências gestacionais: 42% de risco versus 19% entre gestantes que passam menos tempo sentadas. Mais do que exigir rotinas exaustivas de exercícios, o estudo provou que atitudes simples do dia a dia, como ficar em pé, caminhar curtos trechos e fracionar períodos sentados, também geram um efeito protetor.
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Contudo, adotar bons hábitos é apenas uma das formas de se ter uma gravidez tranquila. Outra maneira importante de garantir a segurança da mãe e o desenvolvimento saudável do bebê é seguir um pré-natal de qualidade, que, segundo a OMS, reduz o risco de natimortos e complicações.
De acordo com Martha Calvente, ginecologista e obstetra especialista em medicina fetal do Sérgio Franco e da CDPI – marcas da Dasa no Rio de Janeiro –, exames laboratoriais e de imagem, testes genômicos e a imunização desempenham papéis fundamentais e complementares ao longo dessa jornada.
A base do acompanhamento pré-natal
A ginecologista ressalta que o acompanhamento pré-natal moderno combina um check-up laboratorial minucioso (composto por hemograma, glicemia, ferritina, perfil tireoidiano e sorologias para rubéola, toxoplasmose, hepatites, HIV e sífilis) com a tecnologia dos exames de imagem.
“Assim como o estudo comprova que pequenos hábitos evitam complicações como a hipertensão gestacional, o ultrassom obstétrico com Doppler e os exames de medicina fetal nos permitem monitorar a circulação placentária e o crescimento do bebê em tempo real. Identificar precocemente alterações no fluxo sanguíneo fetal ou na pressão arterial da mãe nos dá a janela ideal para intervir preventivamente e proteger a gestação”, destaca Martha.
Como a genética pode proteger a gestação?
A jornada genômica da gestação pode ser iniciada pela sexagem fetal, disponível a partir da oitava semana de gestação, que identifica o sexo biológico do bebê com alta precisão. Os avanços nessa área trouxeram maior previsibilidade e tranquilidade para os pais. Um exemplo é o Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT), realizado por meio de uma simples coleta de sangue materno a partir da décima semana de gestação.
Consultora em genética e genômica do Lustosa, Fernanda Soardi explica que o exame analisa fragmentos do DNA fetal livre no sangue da mãe para avaliar o risco de anomalias cromossômicas com altíssima precisão, incluindo a síndrome de Down (Trissomia 21), síndrome de Edwards (Trissomia 18), síndrome de Patau (Trissomia 13) e alterações nos cromossomos sexuais.
“O teste é muito preciso e 100% seguro, não invasivo, sem nenhum risco de abortamento. Com ele, os pais conseguem uma resposta precisa e mais rápida. No caso de risco elevado para alguma alteração, terão mais tempo para realizar exames complementares confirmatórios e para planejar os cuidados necessários para o bebê, buscar informação, e cuidar da própria saúde mental diante de um cenário diferente do planejado. Vale ressaltar que, em cerca de 50% dos casos de risco elevado identificados, não existia nenhum histórico familiar prévio conhecido”, enfatiza Fernanda Soardi.
Além disso, o casal ainda pode optar por realizar a análise genética por meio do Painel de Portadores (PCGT), realizado antes da concepção para investigar se o casal carrega mutações para doenças hereditárias recessivas, e assim planejar como ocorrerá a concepção.
Imunização materna
Outro pilar importante para evitar complicações é a vacinação. Durante a gravidez, os anticorpos produzidos pela mãe em resposta às vacinas atravessam a placenta, conferindo ao bebê uma imunidade passiva valiosa nos primeiros meses de vida, período em que ele ainda não completou seu próprio esquema vacinal.
Infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, Luísa Chebabo reforça a importância do cumprimento rigoroso do calendário vacinal gestacional, que inclui doses contra influenza, dTpa (que previne coqueluche, tétano e difteria), hepatite B e Covid-19. Além disso, a recente chegada da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) aplicada na gestante representa um marco na proteção infantil.
“A imunização contra o VSR aplicada no terceiro trimestre de gravidez transfere anticorpos vitais para o bebê, reduzindo drasticamente o risco de internações por bronquiolite e pneumonia grave nos primeiros seis meses de vida. Vacinar a gestante é, literalmente, proteger o recém-nascido antes mesmo do seu primeiro respiro”, orienta Luísa.
Pós-parto e proteção continuada
Os cuidados iniciados no pré-natal têm um desfecho decisivo no pós-parto imediato. Para garantir que o bebê continue protegido após o nascimento, o teste do pezinho é o exame indispensável para avaliar a saúde do recém-nascido e deve ser feito, idealmente, nas primeiras 24 e 48 horas de vida. Segundo Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e Sérgio Franco, a triagem neonatal identifica doenças graves e silenciosas antes mesmo que o bebê apresente qualquer sintoma.
Atualmente, o teste oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS) é de responsabilidade dos estados e tem diferenças: há aqueles estados que adotam o procedimento que identifica seis doenças e os estados que oferecem testes ampliados capaz de detectar cerca de 50 doenças. Vale lembrar que o SUS está em processo de ampliação progressiva, prevista por lei, em todo o país.
Na rede privada, o teste do pezinho prime, também chamado de superampliado, representa a maior triagem possível com exames convencionais, alcançando a identificação de até cem doenças metabólicas, genéticas, imunológicas e infecciosas graves.
“Muitas condições detectadas, como a fenilcetonúria e a acidúria glutárica, que afetam a forma como o organismo processa certos aminoácidos, não dão sinais aparentes nas primeiras semanas de vida, mas começam a causar danos neurológicos ou físicos permanentes assim que a criança começa a se alimentar ou a crescer. Com o diagnóstico precoce, o tratamento começa imediatamente, e o paciente pode se desenvolver com mais qualidade de vida”, argumenta o geneticista.
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De acordo com Fernanda Soardi, famílias com histórico de doenças metabólicas ou outras condições hereditárias, ou que queiram ampliar a triagem de doenças que podem se manifestar nas primeiras semanas ou meses de vida do bebê, é possível realizar um teste complementar ao teste do pezinho. O BabyGenes inclui a triagem de cerca de 400 doenças.
