No Dia dos Pais, as homenagens costumam destacar o papel de quem protege, orienta e sustenta a família. Mas, em meio às celebrações, uma pergunta ainda recebe pouca atenção: quem cuida da saúde emocional dos pais?
Para a psicóloga Gil Jung, essa é uma discussão urgente. Segundo ela, muitos homens cresceram aprendendo que demonstrar vulnerabilidade era sinal de fraqueza e, por isso, acabam adiando o cuidado com a própria saúde mental.
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“Durante muito tempo, o homem foi colocado no lugar de quem protege, resolve, sustenta e suporta. Mas pouco se pergunta quem cuida emocionalmente desse homem. Na prática clínica, percebo que muitos pais não chegam dizendo que estão emocionalmente mal. Eles procuram ajuda pelas consequências desse sofrimento: ansiedade, irritabilidade, insônia, conflitos nos relacionamentos, excesso de trabalho ou comportamentos compulsivos.”
Segundo a psicóloga, olhar para o bem-estar emocional dos pais também significa cuidar de toda a família. Isso porque os filhos aprendem sobre emoções muito mais pelo exemplo do que pelos discursos.
“A forma como um pai reage à frustração, demonstra afeto, enfrenta problemas, reconhece erros e lida com o próprio sofrimento se torna uma referência emocional para os filhos. Isso não significa que ele precise estar bem o tempo todo. Pelo contrário. Mostrar que emoções difíceis existem e podem ser reconhecidas e reguladas também ensina.”
Na avaliação de Gil Jung, a saúde emocional de um pai ultrapassa a experiência individual e pode influenciar diretamente a forma como as próximas gerações aprendem a lidar com sentimentos, conflitos e relações.
No consultório, ela observa que as principais dificuldades emocionais entre homens que já são pais envolvem sobrecarga, ansiedade, dificuldade para dormir, irritabilidade e conflitos afetivos. Também são frequentes comportamentos usados como forma de aliviar o desconforto emocional, como o excesso de trabalho, consumo de álcool, jogos, pornografia e outras compulsões.
A psicóloga orienta que familiares estejam atentos a mudanças persistentes de comportamento, como isolamento, irritabilidade intensa, alterações no sono, perda de interesse por atividades antes prazerosas e dificuldade de estar emocionalmente presente.
“Existe uma diferença importante: estar em casa não significa estar emocionalmente presente. Buscar terapia antes que o sofrimento se transforme em uma crise também é uma forma de responsabilidade com os filhos e com a própria família.”
Para Gil Jung, ampliar o debate sobre a saúde mental masculina é uma forma de fortalecer os vínculos familiares e quebrar padrões que, por décadas, ensinaram homens a silenciar suas emoções.
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“Nenhum pai precisa dar conta de tudo sozinho. Cuidar da própria saúde emocional não diminui a força de um homem. Pelo contrário: permite que ele esteja mais inteiro para si mesmo e para as pessoas que ama.”
