Enquanto algumas regiões do Brasil ainda devem enfrentar novas frentes frias, outras terão quedas pontuais de temperatura e dias mais amenos. Mas até o fim do inverno, os cuidados com a saúde continuam indispensáveis. O ar frio e seco aumenta a incidência de doenças respiratórias, porque as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados, facilitando a circulação de vírus. A estação também favorece comportamentos que podem afetar a imunidade, como esclarece Helga Lott, nutricionista especialista em longevidade e bem-estar.
“Alguns hábitos comprometem o sistema imunológico, como o consumo em excesso de açúcar, ultraprocessados e bebida alcoólica, pular refeições ou fazer jejuns prolongados sem orientação, baixo consumo de água, pouca variedade de frutas e vegetais e sedentarismo”, descreve.
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Por outro lado, uma alimentação equilibrada ajuda a fortalecer as defesas do organismo. “Boa parte das células imunológicas estão associadas ao intestino, o que reforça a importância de uma microbiota intestinal saudável para uma boa resposta de defesa do organismo. Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade, fibras e gorduras boas ajuda a reduzir processos inflamatórios, fortalece as barreiras naturais do organismo e contribui para que o sistema imunológico responda de maneira mais eficiente aos agentes infecciosos”, informa Helga Lott.
A nutricionista destaca que o mais importante é priorizar a qualidade do padrão alimentar, e não o consumo de um único alimento específico. “Entre os nutrientes mais importantes estão vitamina C (encontrada em frutas cítricas, acerola, kiwi, morango, goiaba e pimentão); vitamina D (sua principal fonte é a exposição solar, mas alguns alimentos como peixes gordurosos e ovos também contribuem); zinco (presente em carnes, frutos do mar, sementes e oleaginosas); selênio (encontrado principalmente na castanha-do-pará); proteínas (carnes magras, peixes, ovos, leite e derivados, leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico); fibras, probióticos e alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir e vegetais fermentados; ômega-3 (peixes como salmão e sardinha, chia, linhaça); betacaroteno e carotenoides (cenoura, abóbora, batata-doce)”, enumera.
Todos esses construtores, reguladores e energéticos do corpo são encontrados na comida. Por isso, a suplementação é indicada apenas quando houver deficiência comprovada ou mediante orientação de um profissional de saúde. “Em pessoas saudáveis, uma alimentação equilibrada costuma ser suficiente para atender às necessidades nutricionais”, acrescenta.
Além da alimentação, cultivar hábitos saudáveis ajuda na prevenção de infecções respiratórias. “Dormir bem, praticar atividade física regularmente, controlar o estresse, não fumar e manter a vacinação em dia são fatores igualmente importantes para reduzir o risco de infecções respiratórias. No dia a dia, pequenas escolhas consistentes costumam fazer mais diferença do que soluções rápidas ou promessas de alimentos milagrosos”, ressalta.
A especialista também alerta para a importância da hidratação durante o inverno, especialmente entre os idosos. A ingestão adequada de água auxilia na manutenção das mucosas que revestem as vias respiratórias, primeira barreira de defesa contra partículas estranhas e patógenos.
“Naturalmente, a sensação de sede diminui com o envelhecimento, aumentando o risco de desidratação. Esse quadro pode causar fadiga, tonturas, confusão mental, constipação, queda da pressão arterial, piora do funcionamento dos rins e maior risco de infecções urinárias. Uma estratégia simples para quem sente pouca sede é estabelecer horários para beber água ao longo do dia e não esperar a sensação de sede aparecer. Além da água, diversos alimentos contribuem para a hidratação, como sopas e caldos nutritivos, frutas com alto teor de água (laranja, tangerina, melancia), chás naturais sem açúcar, legumes como abobrinha, chuchu e pepino nas preparações quentes."
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