INCÔMODO

Lipedema: por que os hematomas surgem com frequência nas pernas?

Médico explica que essas pequenas lesões vasculares acontecem na paciente que tem lipedema mesmo em traumas mínimos e frequentemente imperceptíveis

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Para quem tem lipedema, uma situação parece comum ao olhar para as próprias pernas: a presença de hematomas. Mesmo sem batidas ou machucados, as manchas rochas podem aparecer pelo próprio desenvolvimento normal da doença.

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O tecido adiposo de uma paciente portadora de lipedema é doente e inflamado, diferente da gordura normal e o comportamento dessa gordura doente determina um conjunto de alterações microvasculares através de três mecanismos principais: o tecido gorduroso inflamado comprime os vasos sanguíneos e linfáticos da região acometida, fazendo com que o fluxo sanguíneo fique mais lento na região; depois associa-se a isso a fraqueza da estrutura de tecido conjuntivo que envolve esses vasos sanguíneos e que deveriam sustentá-los em uma situação de normalidade; e ocorre a formação de mais vasos sanguíneos na tentativa de nutrir melhor esse tecido inflamado, mas essa angiogênese (formação de mais vasos) é defeituosa, o vaso novo já nasce disfuncional.

É o que explica o cirurgião plástico Rafael Erthal. O médico acrescenta que esse conjunto de eventos determina o que é chamado de ‘fragilidade capilar’, ou seja, os vasos sanguíneos da região acometida por lipedema ficam mais frágeis, mais fáceis de serem rompidos.

“Essas pequenas lesões vasculares vão acontecer na paciente que tem lipedema mesmo em traumas mínimos e frequentemente imperceptíveis - como uma pressão determinada por uma roupa mais justa, o toque de um animal de estimação e coçadura de pele, que são situações que normalmente não causariam hematomas em uma mulher saudável, mas acabam causando na portadora de lipedema”, esclarece Rafael Erthal.

O médico enfatiza que a presença constante desses hematomas, associada a dores ao toque e simetria do acúmulo de gordura (geralmente nas pernas ou braços, poupando pés e mãos), são os principais sinais de alerta que devem levar a paciente a buscar um tratamento especializado para essa condição.

“Por isso, o acompanhamento clínico e a adoção de um estilo de vida saudável são indispensáveis para evitar a progressão da doença. Além disso, em alguns casos, a cirurgia redutora dee lipedema pode ser indicada”, comenta o médico.

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Isso inclui boa alimentação e prática de exercícios físicos. “Entre as opções cirúrgicas, técnicas modernas têm ganhado destaque por tratar não apenas o volume, mas também o contorno corporal, respeitando as características da doença. É uma cirurgia funcional, porque ajuda na diminuição do volume e da dor por retirar o máximo de gordura doente, mas ao mesmo tempo devolve uma forma harmônica para a paciente”, aponta Rafael Erthal.

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