Por que alguns insistem em beber e dirigir?
A combinação de álcool e direção vai além da imprudência; entenda os fatores psicológicos e comportamentais por trás dessa decisão perigosa
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A combinação de álcool e direção continua a ser uma das principais causas de acidentes fatais no trânsito brasileiro. Apesar das campanhas de conscientização e da legislação rigorosa, muitos motoristas ainda assumem o risco. A decisão de assumir o volante após consumir bebidas alcoólicas, no entanto, vai além da simples imprudência e envolve complexos fatores psicológicos e comportamentais.
Um evento trágico ocorrido em São Brás do Suaçuí, na Região Central de Minas, reacendeu o debate sobre os motivos que levam a esse comportamento de risco. Na ocasião, um jovem que consumia cerveja ao dirigir morreu e outras duas pessoas — uma mulher e uma criança — ficaram feridas após o veículo cair em uma ribanceira.
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O que leva alguém a beber e dirigir?
A decisão de beber e dirigir geralmente está ligada a uma perigosa combinação de fatores psicológicos: a falsa sensação de controle, a subestimação dos efeitos do álcool no organismo e a pressão social. O comportamento também pode ser um reflexo de impulsividade e dificuldade em avaliar riscos.
Diversos gatilhos mentais e sociais contribuem para essa escolha perigosa. Os principais são:
Sensação de invulnerabilidade: principalmente entre os mais jovens, existe a crença de que "nada vai acontecer comigo", ignorando as estatísticas e os perigos reais.
Normalização do comportamento: quando o ato é comum no círculo social do indivíduo, como em festas ou encontros com amigos, ele passa a ser visto como aceitável ou de baixo risco.
Dificuldade em avaliar o próprio estado: muitos acreditam que "apenas algumas doses" não afetam sua capacidade de dirigir, um erro grave, já que a percepção e os reflexos são alterados desde o primeiro copo.
Pressão social: a necessidade de se encaixar em um grupo ou o receio de ser visto como "o careta" podem influenciar a decisão de não abrir mão do carro mesmo após beber.
Como o álcool afeta a capacidade de dirigir?
O álcool atua diretamente no sistema nervoso central, comprometendo habilidades essenciais para uma direção segura. A substância diminui a capacidade de julgamento e aumenta o tempo de reação, tornando o motorista um perigo para si e para os outros. Os efeitos práticos no organismo incluem:
Redução do tempo de reação: o cérebro leva mais tempo para processar informações e enviar comandos aos músculos para frear ou desviar de um obstáculo.
Comprometimento da coordenação motora: movimentos que seriam simples, como esterçar o volante ou acionar os pedais, tornam-se mais lentos e imprecisos.
Visão prejudicada: ocorre a diminuição do campo visual, a dificuldade em focar objetos e a perda da noção de profundidade e distância.
Aumento da sonolência: o consumo de bebidas alcoólicas pode causar cansaço e diminuir drasticamente o estado de alerta do condutor.
Quais as consequências previstas na Lei Seca?
No Brasil, dirigir sob a influência de álcool é uma infração gravíssima, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). As penalidades são severas e visam coibir essa prática.
Multa: o valor da penalidade é de R$ 3.815,10, podendo ser dobrado em caso de reincidência no período de 12 meses.
Suspensão da CNH: o direito de dirigir é suspenso por 12 meses.
Retenção do veículo: o carro fica retido até a apresentação de um condutor habilitado e sóbrio.
Crime de trânsito: se o teste do bafômetro indicar um nível de álcool superior a 0,34 miligrama por litro de ar alveolar ou se houver acidente com vítimas, o motorista pode ser preso em flagrante.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria