DIA DOS PAIS

Diagnóstico precoce é aliado para ampliar a longevidade masculina no Brasil

Especialistas explicam como a resistência a consultas e exames preventivos pode contribuir para diagnósticos graves entre os homens

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O Dia dos Pais é tradicionalmente lembrado como uma data de afeto e cuidado. No entanto, a população masculina brasileira, culturalmente, não tem zelado muito pela própria saúde ao buscar menos por atendimento médico e exames. E isso tem custado vidas. O IBGE demonstrou que os homens vivem, em média, cerca de sete anos menos do que as mulheres. Informações divulgadas na Tábua de Mortalidade 2022 indicaram que a expectativa do sexo masculino era de 72 anos e, para elas, de 79.

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Essa disparidade reflete diretamente o comportamento em relação à medicina preventiva. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reforça a gravidade desse cenário ao revelar que 46% dos homens só procuram ajuda médica quando já apresentam algum sintoma. O estudo aponta ainda que apenas 32% dos homens acima de 40 anos afirmam estar realmente atentos ao próprio bem-estar.

“Com homens procurando menos os serviços de saúde para diagnóstico precoce, é muito provável que esses pacientes, quando finalmente chegarem ao ambiente hospitalar, já estejam em estágio crítico. Por isso, é fundamental romper esse tabu cultural e incentivar a consulta médica regular, a prática de check-ups e a execução de exames preventivos”, analisa o coordenador técnico do São Marcos Saúde e Medicina, marca Dasa em Minas Gerais, Márcio Nunes.

Doenças cardiovasculares e cerebrovasculares lideram a mortalidade

A falta de prevenção entre os homens também fica evidente nos indicadores de mortalidade no Brasil por doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, que estão entre as principais causas de morte masculina em relação à feminina. Um levantamento do Datasus revelou que, de janeiro a maio deste ano, mais de 17 mil homens faleceram em decorrência de AVCs, infarto, insuficiência cardíaca e outras condições, configurando uma mortalidade 11,8% maior se comparada com as mulheres.





O cardiologista Alex Félix, da clínica CDPI, também da Dasa, no Rio de Janeiro, reforça que o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares pode evitar parte desses casos.

“O infarto do miocárdio e o AVC podem ser a ponta do iceberg de um processo silencioso de aterosclerose que se desenvolve ao longo de muitos anos, frequentemente associado à hipertensão e a outros fatores de risco detectáveis e controláveis preventivamente. O check-up cardíaco não se limita a uma consulta com eletrocardiograma básico. Hoje, dispomos de exames como o teste ergométrico, o escore de cálcio coronariano, a angiotomografia de artérias coronárias, o Doppler de carótidas e o ecocardiograma, que permitem visualizar direta e indiretamente a presença de aterosclerose de forma precoce ou disfunção da contratilidade cardíaca, antes de complicações potencialmente fatais”, ressalta o especialista.

No entanto, nem todos os eventos cardiovasculares podem ser explicados pelos fatores de risco tradicionais ou identificados apenas pelos exames convencionais. Segundo o cardiologista Marcelo Bittencourt, da Dasa Genômica, parte dos infartos precoces está relacionada com doenças cardiovasculares hereditárias que permanecem sem diagnóstico.

“Muitas pessoas não se enquadram nos critérios tradicionais de risco e, por isso, não são investigadas de forma aprofundada. Quando existe uma carga genética importante, o primeiro sinal pode ser justamente um evento grave, como um infarto precoce”, explica.

Nesses casos, o Escore de Risco Poligênico para Doença Coronariana surge como uma ferramenta complementar de prevenção ao analisar milhares de variantes genéticas associadas ao risco de aterosclerose e eventos coronarianos. “Estudos mostram que pessoas com escore poligênico elevado podem apresentar um risco significativamente maior de desenvolver doença coronariana, independentemente da idade ou do estilo de vida”, afirma Marcelo Bittencourt.





A avaliação é especialmente indicada para pessoas com histórico familiar de infarto precoce, morte súbita ou doença coronariana em parentes de primeiro grau. “Genética não é sentença, é ferramenta de antecipação. Identificar o risco cedo pode evitar eventos potencialmente fatais no futuro."

Guia de prevenção: check-up masculino por faixa etária

De acordo com a endocrinologista Maria Helane Gurgel, diretora médica dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa no Rio de Janeiro, a implantação de uma rotina contínua de exames preventivos dividida por faixas etárias pode contribuir para a longevidade masculina.

Entre 20 e 30 anos

“A partir dessa faixa etária, o homem pode realizar avaliações laboratoriais básicas, incluindo hemograma completo, perfil lipídico (colesterol, HDL, LDL e triglicerídeos), dosagem de lipopropteina (a), glicemia de jejum, hemoglobina glicada, TSH, testes de função hepática e renal. Também faz-se importante a aferição da pressão arterial (ambulatorial ou se necessário através do exame MAPA), assim como do peso corporal através de índices tradicionais como o IMC (Indice de Massa Corporal) , mas também através de exames de imagem como a densitometria de corpo total (DEXA) de grande aplicação na avaliação da “massa gorda e da massa magra” em paciente que vive com sobrepeso e ou obesidade”, revela Helane.





De 35 a 40 anos

O rastreio cardiológico pode ser importante, em especial em casos de história familiar de doença cardiovascular precoce ou na presença de fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, diabetes, heipertensão , disilipidemia, doenças autoimunes e obesidade. Nesse contexto, durante a avaliação médica podem ser solicitados exames como MAPA, teste ergométrico, teste cardiopulmonar, ecocardiograma transtorácico, ultrassom doppler de carótidas, tomografia para avaliar escore de cálcio coronarianos e angiotomografia de coronárias para mapeamento vascular.

De 45 a 50 anos

Somam-se ao protocolo a investigação oncológica específica, com a dosagem de PSA total e livre, associado, quando indicado pelo médico, o exame de toque retal e à ultrassonografia de próstata, a realização da colonoscopia para detecção precoce do câncer de cólon e reto e o ultrassom de abdômen total também podem ser considerados.

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