PADRÃO

Ariana Grande criticada por estar 'magra demais': riscos da magreza extrema

Cantora anunciou pausa na carreira após chuva de críticas direcionadas ao seu corpo

Publicidade
Carregando...

Um representante da cantora Ariana Grande anunciou que a artista fará uma pausa na carreira para cuidar da saúde após uma chuva de críticas direcionadas ao seu corpo. A cantora de 33 anos vem sendo objeto de comentários por estar “magra demais” e ser apontada como um dos símbolos da nova onda de magreza extrema. Mas, afinal, o que é esse controverso padrão estético da magreza extrema?

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

“Historicamente a indústria da moda impõe um padrão de corpo magro para os modelos que carregam suas coleções, muito abaixo do que é admissível como normalidade. Logicamente uma minoria tem naturalmente esse biotipo, mas certamente a maior parte das modelos femininas, no mundo, só atinge essa forma às custas de estratégias que trazem muitos impactos negativos à saúde física e mental. O grande problema, do ponto de vista médico, é que essas modelos vão estampar suas imagens em todas as mídias, como ideal de beleza, sucesso e luxo. Um padrão inatingível para a maioria da população mundial, que pode ter consequências desastrosas, como o aumento na prevalência de distúrbios emocionais e transtornos alimentares”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

“A grande exposição nas redes sociais, onde corpos magros ganham curtidas e admiração, estimula uma corrida silenciosa por resultados rápidos, muitas vezes sem acompanhamento adequado. E muitas pessoas, deslocadas da realidade, em vez de priorizar a saúde, concentram seu foco completamente na estética, no imediatismo e na comparação constante com imagens idealizadas. É como se ter gordura corporal fosse um insulto”, acrescenta a cirurgiã plástica e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Heloise Manfrim.

As características da magreza extrema são contrastantes à antiga estética dominante guiada pelo excesso de volume. Em vez de rostos amplamente preenchidos, lábios projetados, mandíbulas marcadas, glúteos volumosos e próteses mamárias evidentes, agora os ossos (e não mais o volume de tecidos) passam a ser exibidos como marcador estético.





“Mais do que uma mudança estética pontual, trata-se de um reposicionamento cultural mais amplo, no qual o corpo passa a refletir uma nova lógica de desejo, com menos projeção e volume, em alinhamento com uma estética de restrição corporal, marcada por contornos ósseos visíveis, braços mais finos, clavículas evidentes e menor percentual de gordura corporal”, explica Heloise.

“Com a popularização dos chamados medicamentos injetáveis para obesidade, e muitas pessoas utilizando para ter um ‘shape mais slim’, nunca foi tão fácil perder peso de forma rápida e isso está moldando não apenas o comportamento nas redes, mas também provocando transformações no consultório médico e na prática da cirurgia plástica. Hoje, a magreza excessiva e extrema voltou a ser alvo de desejo entre mulheres e homens”, afirma o cirurgião plástico Carlos Manfrim, membro da SBCP.

"É preciso olhar para o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras e hormônios de maneira cautelosa. Os corpos magros e atléticos em excesso escondem problemas de saúde, muito mais do que a estética. No campo da estética em si existe uma busca por perfeição inatingível de um lado e de outro a não manutenção de resultados por justamente fazer procedimentos em vigência de tratamento emagrecedor ou hormonal", alerta a cirurgiã plástica membro da SBCP, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS), Flávia Bonato.





Marcella explica que essa nova estética traz um risco maior para adolescentes. “Muitas vezes, esses pacientes estão em uma fase de formação de identidade corporal, o que os torna ainda mais vulneráveis a influências externas. Por outro lado, também observo adultos que, mesmo com histórico de boa autoestima, passaram a se sentir pressionados diante das novas referências corporais promovidas digitalmente”, explica a nutróloga.

A consequência direta disso é uma demanda crescente por cirurgias reparadoras, segundo os médicos. A perda de peso acelerada, que muitas vezes supera até mesmo os resultados de uma bariátrica, tem levado pacientes a quadros de flacidez acentuada, com queixas em regiões como rosto, mamas, abdômen, glúteos e pernas.

"Não é incomum vermos perdas massivas, de 30/40kg e esses pacientes tem grandes repercussões de posição e qualidade de pele. No geral eles são muito parecidos com os pacientes pós-bariátrica, com a grande vantagem de um perfil metabólico melhor e mais organizado. No geral é um paciente que quer uma estética mais slim e realmente uma reconstrução muitas vezes reparadora dos tecidos que estão extremamente frouxos", acrescenta Flávia.

“Em muitos casos, a perda de peso vem acompanhada de deficiências nutricionais importantes, que afetam diretamente a cicatrização, a resposta imunológica e a recuperação pós-operatória em cirurgias plásticas. É comum vermos pacientes que chegam ao consultório com perda de peso acentuada, mas sem acompanhamento nutricional adequado”, alerta o cirurgião plástico Carlos Manfrim.

Mas esse cenário também tem favorecido o surgimento ou agravamento de um problema psicológico grave: a dismorfia corporal. “Trata-se de um transtorno em que a pessoa tem uma percepção distorcida do próprio corpo, acreditando estar acima do peso ou com imperfeições, mesmo quando os parâmetros de saúde já foram atingidos”, explica Carlos.





“Alcançar o ideal na grande maioria das vezes é impossível por questões metabólicas, genéticas, composição corporal e até de aptidão física, gerando frustração e sensação de incapacidade”, completa Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da SBCP. “Recebo no consultório muitos pacientes insatisfeitos com o corpo e procuram uma maneira de recuperar a forma de maneira rápida, com cirurgia. E com frequência a indicação não é de cirurgia, mas mudança de hábitos e de estilo de vida”, esclarece Beatriz.

“A magreza pode ser o desejo do momento, mas o equilíbrio deve ser sempre o objetivo. Sem orientação, os prejuízos são inevitáveis. O corpo cobra a conta”, completa Carlos Manfrim. “A maioria dos pacientes já chega com referências específicas, muitas vezes baseadas em tendências da internet. Já ouviram sobre determinados medicamentos, dietas da moda, jejum intermitente ou suplementos populares. Muitos vêm com imagens salvas no celular, comparando-se a celebridades ou influenciadores. O desafio, nesse contexto, é promover um diálogo responsável e baseado em evidências, explicando que saúde vai muito além da estética e que o emagrecimento deve ser individualizado, seguro e sustentável”, aponta Marcella Garcez.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Tópicos relacionados:

estetica magreza saude

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay