A dor de cabeça é uma das queixas mais frequentes nos consultórios médicos. Segundo o estudo Global Burden of Disease, esses quadros afetam quase 3 bilhões de pessoas no mundo, o equivalente a 34,6% da população global, um cenário praticamente estável desde 1990. 

Entre os diferentes tipos, a enxaqueca é a que mais preocupa: embora atinja uma fatia menor da população (14,1%, cerca de 1 bilhão de pessoas), ela é responsável por 90% de toda a incapacidade gerada por esse tipo de dor, sendo considerada uma das principais causas de limitação entre adultos, com impacto ainda maior entre as mulheres. 

No Brasil, estima-se que mais de 31 milhões de pessoas em idade produtiva convivam com o problema, mas o número real pode ser bem maior: um levantamento da Teva Brasil em parceria com a  Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (Abraces) revela que 27 milhões de brasileiros podem ter enxaqueca sem diagnóstico médico, quase tantos quanto os 23 milhões que já foram diagnosticados, o que evidencia o tamanho da subnotificação no país. 

 

Apesar de, na maioria dos casos, a dor de cabeça estar relacionada a condições benignas, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada. No Dia Mundial do Cérebro, celebrado nesta quarta-feira (22/7), especialistas reforçam a importância de reconhecer os chamados "sinais de alerta", que podem indicar doenças neurológicas mais graves. 

Segundo Thyago Oliveira, médico especializado em radiologia e neurorradiologia, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa, exames de imagem, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, não são indicados para toda dor de cabeça, mas desempenham papel fundamental quando há suspeita de alterações estruturais no cérebro. 

"A maioria das dores de cabeça não exige exames de imagem. No entanto, quando a dor surge de forma muito intensa e repentina, apresenta mudança importante no padrão habitual, é acompanhada de sintomas neurológicos, como perda de força, alteração da fala ou da visão, ou ainda ocorre após um trauma, a investigação por imagem é essencial para identificar ou descartar causas potencialmente graves", explica o especialista. 

Entre as condições que podem ser identificadas por exames estão:

Alterações que exigem tratamento imediato

Além das características da dor, fatores como idade acima de 50 anos com início recente dos sintomas, histórico de câncer, imunossupressão, febre persistente ou alterações no estado de consciência também aumentam a necessidade de avaliação médica e, quando indicado, de exames de imagem. 

O neurorradiologista destaca que a escolha entre tomografia e ressonância depende da suspeita clínica. A tomografia costuma ser utilizada em situações de emergência, por ser rápida e eficiente na identificação de hemorragias e traumas. Já a ressonância magnética oferece maior detalhamento das estruturas cerebrais e é especialmente indicada para investigar dores persistentes ou alterações neurológicas mais complexas. 

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"Mais importante do que realizar exames por precaução é entender quando eles realmente são necessários. A avaliação médica é indispensável para diferenciar uma cefaleia primária, como a enxaqueca, de situações que exigem investigação imediata. O diagnóstico correto permite um tratamento mais assertivo e pode fazer toda a diferença na preservação da saúde cerebral."  

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