A saúde sexual ainda é um dos aspectos mais negligenciados da saúde masculina. No mês em que se celebra o Dia do Homem, nesta quarta-feira (15, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) chama a atenção para um problema que permanece cercado por tabus: a doença de Peyronie. Embora possa comprometer a função sexual, a autoestima e os relacionamentos, muitos homens convivem com os sintomas durante anos antes de procurar um urologista.

Caracterizada pela formação de placas de fibrose no pênis, a doença pode causar curvatura durante a ereção, dor, encurtamento peniano e dificuldade nas relações sexuais. Estima-se que entre 3% e 9% da população masculina adulta seja afetada, principalmente entre os 40 e 70 anos. No entanto, a prevalência pode ser ainda maior, já que a vergonha e a desinformação fazem com que muitos casos permaneçam sem diagnóstico.

"A doença de Peyronie pode comprometer significativamente a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos. Quanto mais cedo o homem procurar avaliação com o urologista, maiores são as possibilidades de um tratamento adequado e de melhores resultados. É preciso deixar a vergonha de lado", ressalta o presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes.

Principais sintomas

A principal característica da doença é a presença de uma placa de fibrose ou de um nódulo na túnica albugínea (estrutura que envolve os corpos cavernosos), comprometendo a elasticidade e dificultando a ereção, já que essas placas provocam inclinação no pênis.

Apesar de ainda não serem muito bem definidas as causas, acredita-se que essas placas possam ser decorrência de pequenos traumas durante a relação sexual ou ainda de doenças metabólicas, como diabetes.

"Embora a causa exata ainda não seja totalmente esclarecida, sabemos que ela é mais frequente em homens com diabetes, hipertensão, tabagismo e outras condições que comprometem a cicatrização e a saúde vascular. Esses fatores favorecem uma resposta cicatricial exagerada após pequenos traumas repetitivos durante a atividade sexual, levando à formação das placas de fibrose nos corpos cavernosos, duas estruturas cilíndricas responsáveis pela ereção, com repuxamento e desvio do eixo do pênis", explica a diretora de Comunicação da SBU, Karin Jaeger Anzolch.

Outros sinais frequentes são:

• Dor durante a ereção

• Presença de nódulo ou placa endurecida palpável

• Encurtamento ou afinamento do pênis

• Dificuldade ou impossibilidade da penetração

• Disfunção erétil

“A doença de Peyronie apresenta duas fases bem definidas, sendo elas a aguda e a crônica. A fase aguda, apresentação inicial, é caracterizada pelo aparecimento e evolução das placas penianas. Nesse estágio alguns pacientes podem também notar dor peniana durante as ereções. Após um período de seis meses até dois anos, o paciente entrará na fase crônica, quando observaremos a estabilização da placa peniana”, esclarece o coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Sexualidade da SBU, Gustavo Marquesine Paul.

Exame físico permite diagnóstico

O diagnóstico é realizado pelo urologista por meio do exame físico. Exames de imagem, como a ultrassonografia, podem auxiliar na avaliação da localização e da extensão das placas, além do comprometimento da circulação sanguínea.

Em alguns casos a curvatura pode regredir espontaneamente, mas, se persistir, o tratamento leva em consideração a fase da doença e o grau de deformidade do pênis, podendo incluir medicamentos, cirurgia e implante de prótese peniana para correção da curvatura.

“Durante a fase aguda da doença tratamos com medicações, ondas de choque de baixa intensidade e/ou com terapia local de tração peniana, a depender dos sintomas apresentados. Apenas na fase crônica, com a completa estabilização da doença, lançaremos mão de procedimentos cirúrgicos para reabilitação da função penetrativa, podendo ser cirurgias de retificação peniana ou de implante de prótese peniana”, completa Gustavo Marquesine Paul.

Cerca de 10% a 20% dos homens com doença de Peyronie apresentam também contratura de Dupuytren (doença caracterizada pelo espessamento e retração da fáscia palmar da mão, formando cordões fibróticos que podem levar à flexão permanente de um ou mais dedos, principalmente o anelar e o mínimo).

No sentido inverso, pacientes com Dupuytren têm uma prevalência significativamente maior de doença de Peyronie do que a população geral.

Impacto na vida amorosa

Além das alterações físicas, a doença de Peyronie pode causar ansiedade, depressão, redução da autoestima e impacto na vida afetiva. Por isso, é essencial que o homem não adie a consulta com o urologista ao perceber qualquer alteração no formato do pênis, especialmente durante a ereção.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“A doença de Peyronie pode parecer assustadora inicialmente para o paciente e por vezes ser confundida com algo maligno. Quebrar o tabu e buscar ajuda com o urologista logo no início dos sintomas faz com que o indivíduo tenha alternativas de cuidado desde a fase aguda da doença e permite a melhor compreensão e acolhimento pelos próximos passos a serem seguidos. O importante é saber que o objetivo é sempre manter a qualidade de vida com integridade funcional e alinhamento de expectativas com acolhimento e ransparência”, reforça o supervisor da Disciplina de Medicina Sexual da SBU, Leonardo Seligra Lopes.

compartilhe