A repercussão da história do advogado sul-mato-grossense Tiago Pitthan, que organizou sua própria despedida em vida antes de falecer nesta semana, reacendeu um debate ainda cercado de tabus: a importância de falar sobre a morte e planejar o fim da vida. Embora a homenagem idealizada por Pitthan tenha chamado atenção pelo formato inusitado, o caso também trouxe à tona uma possibilidade ainda pouco conhecida: o planejamento antecipado da própria despedida.
Para quem deseja deixar registrados seus últimos desejos e evitar que familiares precisem tomar decisões difíceis em um momento de luto, é possível organizar previamente diversos aspectos da cerimônia, desde a contratação de serviços até a definição de preferências pessoais.
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De acordo com Ana Lícia Dantas, coordenadora de operações do Grupo Zelo, planejar a despedida é uma escolha individual que pode representar um gesto de cuidado com quem fica. "Não significa antecipar a morte, mas exercer autonomia sobre um momento inevitável da vida. É uma decisão que oferece tranquilidade para a família, evita dúvidas e permite que os últimos desejos sejam respeitados de forma organizada e acolhedora", afirma.
Segundo a especialista, o planejamento pode incluir a escolha entre sepultamento e cremação, a definição do cemitério ou crematório, do tipo de urna funerária, da ornamentação floral, das músicas da cerimônia e de outros detalhes que reflitam a personalidade e a trajetória da pessoa. No caso da cremação, também é possível manifestar previamente à vontade sobre a destinação das cinzas, sempre observando a legislação vigente.
Mas como fazer esse planejamento na prática? A especialista explica que existem diferentes formas de registrar essas decisões. “Uma delas é contratar antecipadamente um plano funerário ou adquirir previamente serviços como jazigos e cremação junto a empresas especializadas. Esses contratos permitem definir os serviços desejados e evitam que a família precise resolver questões financeiras e operacionais no momento da perda."
Além disso, algumas escolhas podem ser formalizadas por meio de documentos específicos. No caso da cremação, por exemplo, é recomendável registrar uma Declaração de Vontade em cartório, documento que facilita os procedimentos legais e reforça o desejo manifestado em vida.
Independentemente da forma escolhida, ela ressalta que conversar sobre essas decisões com a família é fundamental. "Não basta apenas deixar tudo documentado. É importante que os familiares saibam quais são esses desejos. Esse diálogo reduz incertezas, evita conflitos e permite que a despedida aconteça da maneira que a pessoa imaginou", destaca.
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Falar sobre a finitude também é uma forma de promover o acolhimento. Casos como o de Tiago Pitthan mostram que refletir sobre a própria despedida não significa abrir espaço para o medo, mas reconhecer que o planejamento pode trazer mais tranquilidade para todos os envolvidos e permitir que a homenagem respeite a história, os valores e a vontade de quem partiu.
