BIOLOGIA ÚNICA

Por que quase metade das cirurgias de mama precisam ser refeitas

A recorrência da flacidez é apontada como o principal motivo para revisões cirúrgicas; suporte estrutural é o novo paradigma para resultados mais duradouros

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A flacidez das mamas continua sendo um dos principais desafios da cirurgia plástica. Apesar da evolução das técnicas de mastopexia, estudos mostram que a necessidade de reintervenção ainda é frequente, com índices que variam de 8,7% a 23,2%.

Entre os principais motivos para uma nova cirurgia está a recorrência da ptose mamária, que é a queda das mamas causada pela perda de sustentação da pele e dos tecidos. Esse cenário gera  impacto emocional profundo, pois muitas mulheres buscam a cirurgia para resgatar a autoestima, e quando o resultado não se mantém, a frustração afeta a percepção global de bem-estar.

Para o cirurgião plástico especialista em cirurgias mamárias e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Guilherme Graziosi, entender o limite biológico do corpo é o primeiro passo para tentar mudar essa estatística. "A longevidade em cirurgias de mama reside na própria qualidade dos tecidos". Graziosi pontua que a gravidade atua como uma força constante durante a fase de remodelamento da cicatriz, que pode durar de 21 dias até 2 anos.

Outro fator determinante destacado pelo especialista é a limitação da própria cicatrização humana. "Existe um fator biológico importante: o tecido cicatrizado recupera apenas cerca de 80% de sua força original em comparação ao tecido nativo", afirma o cirurgião. Se a área sofrer uma nova lesão, essa resistência pode cair para níveis entre 60% e 70%. Essa fragilidade explica por que técnicas baseadas exclusivamente em suturas podem falhar no longo prazo, levando à evolução para o conceito de suporte estrutural, conhecido como "sutiã interno".

Nesse novo paradigma, utilizam-se telas bioabsorvíveis que, embora sejam 30% mais finas, mantêm aproximadamente 90% da força inicial durante o período crítico de cura. O material é absorvido naturalmente pelo organismo por meio de hidrólise em cerca de 18 a 24 meses. "Estudos demonstram que o tecido resultante desse processo pode ser duas vezes mais forte que o tecido original, mantendo sua resistência mesmo após a absorção completa da tela", destaca o cirurgião.

O objetivo central dessas inovações é oferecer uma sustentação estável para as mamas. A cirurgia moderna busca o equilíbrio entre naturalidade, segurança e qualidade de vida. Contudo, Guilherme Graziosi reforça que a biologia de cada paciente é única e que a consulta detalhada com um especialista é indispensável para garantir a segurança da saúde feminina.

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