Estudo abre caminho para reduzir quimioterapia no câncer de mama
Autor da pesquisa estará em Campinas nos dias 18 e 19 de junho durante o II Simpósio de Câncer de Mama Campinas
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Uma das pesquisas mais aguardadas da edição 2026 da American Society of Clinical Oncology (ASCO), maior congresso de oncologia clínica do mundo, acaba de apresentar resultados que podem representar uma mudança importante no tratamento do câncer de mama. O estudo internacional OPTIMA demonstrou que milhares de mulheres com câncer de mama inicial podem evitar a quimioterapia pós cirurgia sem comprometer a eficácia do tratamento, desde que sejam corretamente selecionadas por meio de um teste genômico.
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Os resultados foram apresentados em Chicago neste final de semana e contaram com a participação de mais de 4.400 pacientes com câncer de mama do tipo ER+/HER2-, considerado o subtipo mais comum da doença.
A pesquisa avaliou a utilização do teste genômico Prosigna (PAM50) para identificar quais mulheres realmente se beneficiariam da quimioterapia após a cirurgia. De acordo com os dados apresentados na ASCO, pacientes com escore genômico de risco mais baixo (ROR 60) puderam ser tratadas sem quimioterapia, mantendo excelentes resultados em relação ao controle da doença nos primeiros cinco anos de acompanhamento.
A oncologista clínica do Grupo SOnHe, Susana Ramalho, que acompanha presencialmente os debates da ASCO em Chicago, destaca que o estudo reforça o avanço da medicina personalizada no tratamento do câncer de mama.
"Estamos diante de uma evidência extremamente robusta, com potencial para impactar diretamente a prática clínica. O estudo mostra que é possível individualizar ainda mais o tratamento, identificando pacientes que podem ser poupadas da quimioterapia sem comprometer sua segurança oncológica. Isso significa menos toxicidade, menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida para muitas mulheres", afirma.
Um dos diferenciais do OPTIMA é que ele traz evidências inéditas em grupos de pacientes que ainda geravam dúvidas na prática clínica, incluindo mulheres na pré-menopausa submetidas à supressão ovariana e pacientes com maior comprometimento dos linfonodos. Para o oncologista clínico do Grupo SOnHe, Higor Mantovani, também presente na ASCO 2026, os resultados representam um importante avanço na tomada de decisão clínica.
"Esse estudo fortalece um movimento que já observamos há alguns anos na oncologia: tratar cada paciente de forma cada vez mais precisa. Nem toda paciente precisa da mesma intensidade de tratamento. Quando conseguimos utilizar ferramentas genômicas para identificar quem realmente se beneficia da quimioterapia, oferecemos um cuidado mais assertivo e humano, preservando qualidade de vida sem abrir mão da eficácia", explica.
Segundo os especialistas, embora os resultados sejam bastante promissores, a decisão sobre a realização ou não da quimioterapia deve sempre ser individualizada e baseada em avaliação médica especializada. A expectativa é que a presença do professor Robert Stein em Campinas permita que oncologistas de todo o país tenham acesso direto às discussões sobre a aplicação prática dos resultados na realidade brasileira.
"O fato de recebermos em Campinas o principal investigador de um dos estudos mais relevantes apresentados na ASCO deste ano reforça a importância do simpósio como espaço de atualização científica e troca de conhecimento. Será uma oportunidade única para discutir como esses resultados podem beneficiar as pacientes brasileiras", avalia Susana Ramalho.
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