Aprender coisas novas e ter vida social ativa são centrais para envelhecimento saudável, diz livro
Para psicólogas, autoras de livro sobre envelhecimento, a idade cronológica --e todos os estereótipos associados a ela-- pode limitar o comportamento
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Haiganuch Sarian não corresponde ao estereótipo de uma senhora de 87 anos. Professora aposentada de arqueologia da USP (Universidade de São Paulo), ela despontou cedo nos estudos clássicos e foi mandada à França pelo seu professor de grego. Lá obteve seu doutorado em arqueologia.
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O caso de Haiga é um dos vários citados em "Longevidade Hoje", livro das psicólogas Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky, lançado pela Fósforo. "A referência que a gente tem de envelhecimento é de uma outra geração", diz Simon. O livro busca, ao longo de 11 capítulos, atualizar a ideia do que é envelhecer atualmente.
Uma das ideias exploradas na obra é a diferença entre idade cronológica, definida por Simon, como "aquela que está no seu RG", e idade subjetiva, "aquela que você sente que tem, com a qual você se identifica".
Para as autoras, a idade cronológica --e todos os estereótipos associados a ela-- pode limitar o comportamento. A idade subjetiva e a sensação de mais jovialidade podem dar à pessoa mais controle sobre a própria vida.
"Quando a gente fala 'eu não tenho mais idade para isso', a gente deixa de fazer uma série de coisas", diz Pinsky. Simon diz que existe um descompasso entre os avanços da medicina que aumentaram a expectativa de vida e a percepção cultural do que é envelhecer.
O livro conecta algumas dessas mudanças culturais à neurologia. Para isso, as autoras explicam alguns conceitos-chave para entender o envelhecimento e exploram o funcionamento do cérebro.
Neuroplasticidade, um dos conceitos centrais explorados em "Longevidade Hoje", é a capacidade de os neurônios se reconectarem ou de fazerem novas conexões. É como se o cérebro fosse treinado para novos caminhos. Isso acontece, por exemplo, quando se aprende novas línguas.
A compreensão de que o cérebro continua capaz de fazer novas conexões neurais desafia a ideia de que após entrar na velhice, é "ladeira abaixo". "Não é igual ao cérebro de uma criança, mas a capacidade do cérebro de se remodelar, regenerar partes e fortalecer ou enfraquecer certas conexões ainda está lá", diz Simon.
Pinsky defende que nem só de novos aprendizados se fazem essas conexões. O caso de Haiga, por exemplo, dialoga menos com atividades novas e mais com a manutenção de um senso de propósito na vida.
A psicóloga chama atenção para o fato de a depressão ser um grande fator de risco no desenvolvimento de demência --um dos 14 fatores de risco modificáveis que, se controlados, podem prevenir ou adiar casos da doença. Entre eles estão inatividade física, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e uso excessivo de álcool.
O modelo dos 14 fatores foi proposto pela Lancet Commission on Dementia, um relatório de 2024 que atualizou a lista de fatores de risco em relação ao relatório de 2020, incluindo a perda de visão não tratada na idade avançada e aumento do colesterol LDL na meia-idade.
"O risco é modificável em mais de 50% dos casos de demência se a gente olhar para esses 14 fatores. Entre eles, a educação", diz Simon.
Segundo Simon, idosos que não corrigem déficit de audição e visão têm maior probabilidade de isolamento e retração social. "Às vezes, a pessoa fica muito constrangida de ter que explicar que não está ouvindo direito", diz. "A própria parte temporal da audição, que também é próxima da parte de memória, fica menos estimulada."
A socialização é, para as autoras, um dos principais pilares do envelhecimento saudável. Simon e Pinsky exploram a ideia de saúde social, baseada na conexão, no pertencimento e no suporte.
A interação social exige uma série de habilidades do cérebro, como controle de impulsos e desenvolvimento da linguagem. Além disso, a conexão pode reduzir o estresse e o sofrimento emocional.
SERVIÇO
Longevidade Hoje: o que a neurociência e a psicologia falam sobre envelhecer bem em qualquer idade
Preço R$ 99,90 (ebook R$ 69,90), 280 págs.
Autoria: Sharon Sanz Simon e Ilana Pinsky
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Editora: Fósforo