INSTITUTO NACIONAL DE CARDIOLOGIA
Baixas temperaturas aumentam risco de eventos cardiovasculares
O frio libera mais adrenalina no sangue para ajudar o organismo a controlar a temperatura corporal
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09/07/2026 09:08
- atualizado em 09/07/2026 09:20
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O inverno exige atenção não apenas com as doenças respiratórias, mas também com a saúde do coração. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), divulgadas em junho de 2026, as ocorrências de infarto podem aumentar em até 30% durante períodos de frio intenso, principalmente quando as temperaturas ficam abaixo de 14°C. No mesmo período, os casos de acidente vascular cerebral (AVC) podem crescer até 20%, especialmente entre idosos e pessoas com doenças cardiovasculares.
A queda da temperatura provoca uma série de reações naturais no organismo para preservar o calor corporal. Entre elas está a vasoconstrição, mecanismo que reduz o calibre dos vasos sanguíneos, eleva a pressão arterial e faz com que o coração trabalhe mais para manter a circulação do sangue. Em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, insuficiência cardíaca ou histórico de doenças cardiovasculares, essa sobrecarga pode favorecer a ocorrência de eventos graves.
Segundo o cardiologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Fernando Ribas, esse aumento do risco cardiovascular está diretamente relacionado à resposta do organismo ao frio.
"Quando somos expostos às baixas temperaturas, ocorre a vasoconstrição, mecanismo em que os vasos sanguíneos se contraem para reduzir a perda de calor. Esse processo aumenta a pressão arterial e faz com que o coração precise trabalhar mais para manter a circulação adequada."
Além da contração dos vasos sanguíneos, o frio também estimula a liberação de adrenalina, hormônio que aumenta a frequência cardíaca e a necessidade de oxigênio pelo músculo do coração.
"O frio libera mais adrenalina no sangue para ajudar o organismo a controlar a temperatura corporal. Em pessoas com risco cardiovascular, esse estresse pode desestabilizar placas de aterosclerose e desencadear eventos como infarto ou AVC."
O cenário reforça a importância da prevenção. Dados do Datasus, reunidos pelo Observatório da Saúde Pública da Umane e divulgados em junho de 2026, mostram que o Brasil registrou aproximadamente 398 mil mortes por doenças do aparelho circulatório ao longo de 2024, entre elas infarto, arritmias e hipertensão. A taxa foi de 187,5 óbitos por 100 mil habitantes, a segunda maior dos últimos 23 anos.
Para reduzir os riscos durante o inverno, Fernando Ribas recomenda manter o tratamento das doenças cardiovasculares em dia, controlar a pressão arterial, evitar exposição prolongada ao frio, praticar atividade física com orientação médica, manter uma alimentação equilibrada e procurar atendimento imediatamente diante de sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio ou mal-estar. "A prevenção continua sendo a melhor forma de proteger o coração, especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco", avalia o especialista.