FASE MAIS CRÍTICA
Alerta para 50+: herpes-zóster atinge 1 em cada 3 pessoas ao longo da vida
Mais frequente com o envelhecimento, a doença pode causar dor persistente e outras complicações que impactam a qualidade de vida
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30/06/2026 09:07
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Com o avanço da idade, o corpo passa por mudanças naturais que afetam o sistema imunológico. Entre as doenças que se tornam mais frequentes a partir dos 50 anos está o herpes-zóster, infecção causada pela reativação do vírus da catapora.
O tema ganha relevância diante do envelhecimento da população brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros com 60 anos ou mais já representam 15,6% da população. Como o herpes-zóster é mais comum nessa faixa etária, cresce também a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
"O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que provoca a catapora. Após a infecção inicial, ele permanece no organismo e pode voltar a se manifestar anos ou até décadas depois, principalmente em pessoas mais velhas ou com redução da imunidade", explica Luísa Chebabo, infectologista dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein.
Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, cerca de uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster ao longo da vida. Os sintomas costumam começar com dor, ardência, coceira ou formigamento em uma região específica do corpo. Em seguida, surgem pequenas bolhas agrupadas, geralmente distribuídas em faixa e limitadas a um dos lados do corpo.
Os impactos podem ir além da pele
Embora a maioria das pessoas se recupere sem maiores complicações, o herpes-zóster pode afetar outras estruturas do organismo. Dependendo da região atingida, a infecção pode comprometer os olhos e provocar alterações neurológicas que exigem acompanhamento médico.
Nos últimos anos, estudos também passaram a investigar possíveis repercussões cardiovasculares associadas à doença. Pesquisas identificaram uma associação entre episódios de herpes-zóster e aumento temporário do risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente nos meses seguintes à infecção.
Um desses estudos foi publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC), que avaliou mais de 500 mil pacientes e observou que esse risco é mais elevado logo após o episódio de herpes-zóster e diminui gradualmente ao longo do tempo, permanecendo aumentado durante o primeiro ano. Vale ressaltar que novas pesquisas ainda são necessárias para estabelecer melhor essa relação.
"A prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Manter hábitos saudáveis e realizar avaliações periódicas permite identificar alterações precocemente e adotar medidas antes que problemas mais graves se desenvolvam. Exames laboratoriais, eletrocardiograma, MAPA, e outros exames cardiológicos podem ser indicados pelo médico de acordo com a idade, histórico de saúde e fatores de risco de cada paciente", explica Luciana Neiva, cardiologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.
Vacinação é a principal forma de prevenção
"Além de reduzir o risco de desenvolver a doença, a vacina ajuda a prevenir complicações que podem comprometer a qualidade de vida, como a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela persistência da dor mesmo após o desaparecimento das lesões", destaca a médica.
Segundo a infectologista, a vacinação é recomendada para adultos a partir dos 50 anos e deve ser avaliada individualmente pelo médico, levando em consideração a idade, o histórico de saúde e as condições clínicas de cada pessoa."Quanto mais cedo pensamos em prevenção, menor é o risco de desenvolver a doença e suas complicações", orienta.
Embora seja mais conhecido pelas lesões e pela dor característica, o herpes-zóster pode trazer consequências que vão além da pele. Conhecer os fatores de risco, procurar atendimento diante dos primeiros sintomas e manter a vacinação em dia são medidas importantes para envelhecer com mais saúde.