A hérnia abdominal é um problema mais comum do que muita gente imagina — e, em muitos casos, acaba sendo negligenciado até provocar dor intensa ou complicações sérias. A condição acontece quando uma parte do intestino ou outro tecido interno atravessa um ponto fragilizado da parede abdominal, formando uma protuberância visível ou palpável.

As hérnias podem surgir em diferentes regiões do corpo, sendo as mais frequentes a hérnia inguinal, umbilical e ventral. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da herniorrafia — procedimento responsável por corrigir a falha muscular e evitar que o problema evolua.

“A cirurgia não trata apenas o desconforto. Ela evita complicações potencialmente graves, como encarceramento e estrangulamento intestinal, que podem virar uma emergência médica”, explica Ernesto Alarcon, cirurgião geral e especialista em videolaparoscopia.

Quando a cirurgia é indicada

Além da presença da protuberância, sintomas como dor, sensação de peso, desconforto ao fazer esforço físico ou aumento do volume na região abdominal ou da virilha merecem atenção.

Antes da cirurgia, o paciente passa por avaliação clínica e exames laboratoriais e de imagem. Dependendo do tamanho da hérnia, idade do paciente e condições gerais de saúde, o procedimento pode ser feito por cirurgia aberta ou por videolaparoscopia — técnica minimamente invasiva que costuma proporcionar recuperação mais rápida e menos dor no pós-operatório.

“Em alguns casos, também pode ser necessário o uso de telas cirúrgicas para reforçar a parede abdominal e reduzir o risco de recidiva”, reforça  Alarcon.

Como é a recuperação

A recuperação costuma ser tranquila, mas exige cuidados importantes. Nas primeiras horas — e, em alguns casos, nos primeiros dois dias — o paciente permanece em observação hospitalar com acompanhamento médico.

Dor e desconforto leves podem acontecer logo após o procedimento, sendo controlados com medicação.

Entre os principais cuidados no pós-operatório estão:

- Evitar esforço físico e levantamento de peso por cerca de 30 dias

- Manter boa hidratação

- Apostar em uma alimentação equilibrada e rica em fibras

- Evitar prisão de ventre durante a recuperação

O tempo para retorno às atividades varia conforme o tipo de hérnia e a técnica utilizada, mas muitos pacientes conseguem retomar a rotina em aproximadamente quatro semanas.

“O mais importante é não adiar a avaliação médica. Quanto antes a hérnia for tratada, menores os riscos de complicações e melhor tende a ser a recuperação”, reforça  Alarcon.

Perfil

Ernesto Alarcon é  cirurgião-geral, especialista em videolaparoscopia e atuação com ênfase em cirurgia-geral e digestiva. 

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