Todos conhecemos alguém que, aos 40 ou 50 anos, exibe a vitalidade de uma pessoa muito mais jovem. É o caso do jogador português Cristiano Ronaldo, que, aos 41 anos, vai disputar sua sexta Copa do Mundo e está próximo de marcar mil gols. Em contrapartida, há pessoas cujo organismo parece ter envelhecido de forma acelerada.
Não à toa, viralizou recentemente uma foto do ex-atacante argentino Gonzalo Higuaín, que, aos 38 anos, apresenta sinais de calvície avançada e uma forma física distante do auge vivido nos gramados. “Essa diferença não se explica apenas pela aparência ou pela herança genética, mas pelo descompasso entre idade cronológica e idade biológica, um conceito central na ciência do envelhecimento”, afirma Ricardo Di Lazaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.
Hoje, pesquisadores já conseguem medir a chamada “idade biológica”, indicador que avalia o estado funcional do organismo independentemente da idade cronológica. Estudos recentes apontam que esse processo pode ser acelerado ou desacelerado por fatores como genética, alimentação, sono, atividade física, estresse e até poluição.
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“Duas pessoas podem ter a mesma idade no calendário, mas organismos completamente diferentes do ponto de vista biológico. É isso que explica por que alguns mantêm vitalidade e performance por mais tempo”, afirma Ricardo.
Os avanços mais recentes da ciência utilizam biomarcadores ligados ao envelhecimento celular, como os telômeros. Essas estruturas ficam localizadas nas extremidades dos cromossomos e funcionam como uma espécie de “capa protetora” do DNA.
A cada divisão celular, os telômeros tendem a encurtar naturalmente. Esse desgaste está associado ao processo de envelhecimento e ao surgimento de algumas doenças. Por isso, seu comprimento pode servir como um indicador da idade biológica e da saúde celular.
Estudos publicados na revista científica Nature Reviews Genetics demonstram que esses modelos conseguem prever, com alta precisão, riscos de doenças e declínio funcional. Outra pesquisa recente, publicada no periódico Springer Nature, com mais de 40 mil indivíduos, revelou que cada aumento de cinco anos na idade biológica está associado a maior risco de mortalidade.
Já revisões científicas divulgadas na revista Science Direct apontam que obesidade, estresse crônico, sedentarismo, poluição e fatores socioeconômicos têm impacto direto sobre a velocidade do envelhecimento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 70% e 80% desse processo está relacionado a fatores ambientais e comportamentais, e não apenas à genética. “O exercício físico atua diretamente na saúde cardiovascular, muscular, metabólica e cognitiva. Além de aumentar a longevidade, ele melhora qualidade de vida e autonomia ao longo dos anos”, explica Luiz Augusto Riani Costa, médico do esporte do Alta Diagnósticos.
Nesse contexto, cresce a busca por tecnologias capazes de acompanhar indicadores de saúde, performance e recuperação física de forma personalizada. Entre os principais exames e avaliações estão testes cardiológicos, como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico, análise de composição corporal, exames metabólicos e hormonais, avaliação funcional, testes de capacidade cardiorrespiratória e acompanhamento de indicadores ligados à performance e à recuperação física.
Fatores do processo de envelhecimento biológico
border="0"Medicina preventiva
A ideia de que o envelhecimento pode ser monitorado e influenciado já começa a redefinir a medicina preventiva. O foco deixa de ser apenas viver mais e passa a incluir o chamado healthspan, período da vida vivido com saúde, autonomia e funcionalidade.
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“O estilo de vida funciona como um direcionador desse processo. Dieta equilibrada, atividade física e sono adequado ajudam a manter o corpo em funcionamento saudável, enquanto sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool aceleram o envelhecimento biológico. Envelhecer é inevitável, mas hoje já conseguimos medir esse processo com muito mais precisão e entender como hábitos cotidianos podem acelerar ou desacelerar o ritmo do envelhecimento”, afirma Ricardo.
