O que é o conceito que propõe uma nova forma de entender o amor
O conceito foi desenvolvido pela psicóloga e sexóloga Marina Rotty a partir de um estudo sobre relações afetivas e sexuais
compartilhe
SIGA
A orientação relacional é um conceito que propõe olhar para os vínculos afetivos e sexuais a partir da forma como cada pessoa vive o amor, o desejo e a intimidade. Em vez de tratar a monogamia como único modelo possível, a ideia parte do princípio de que nem todo mundo se relaciona da mesma forma, e que esse desencontro pode gerar sofrimento, frustração e sensação de inadequação.
Leia Mais
Na prática, a proposta visa entender que não existe apenas um jeito “certo” de se relacionar. “É uma tendência que cada um de nós costuma ter quando começamos relacionamentos com exclusividade afetiva/sexual ou não”, resume Marina, ao definir a orientação relacional como uma dimensão ligada à identidade de cada pessoa. A ideia amplia a conversa sobre amor porque considera que vínculo, desejo e segurança emocional não se organizam do mesmo modo em todo mundo.
Foi a partir da escuta clínica e da observação de diferentes trajetórias afetivas que a tese ganhou forma. A especialista conta que os relacionamentos sempre a fascinaram e que o conceito começou a se desenhar a partir da convivência com dinâmicas reais, dos estudos em Psicologia e Sexologia e da experiência clínica no atendimento a indivíduos e casais não monogâmicos. Em outra formulação, ela explica que a orientação relacional ajuda a reconhecer o próprio jeito de amar e que viver um modelo que ignora essa dimensão pode se tornar exaustivo a longo prazo.
Sobre o conceito de orientação relacional, ela explica o que o diferencia de preferência, escolha ou comportamento amoroso: “o conceito é a soma de três fatores: DNA, personalidade e cultura em que a pessoa está inserida. Se fosse apenas DNA, seria determinismo. Se fosse só personalidade, seria comportamento. Se fosse só cultura, seria preferência. Quando a gente une a complexidade desses três fatores, temos a Orientação Relacional. A pessoa ainda terá a liberdade de escolher de que forma quer se relacionar com os outros, mas agora está ciente de que não se trata só do DNA que ela carrega, da personalidade dela ou da cultura em que vive. Ou seja, não é só determinismo, nem só comportamento, nem só preferência. Em resumo, a orientação relacional é a consciência do modo como a pessoa se relaciona com mais coerência com quem ela é”.
Marina também aponta que muitas pessoas acabam permanecendo em formatos de relação que geram sofrimento por pressão cultural e medo de exclusão social. Em suas palavras, há quem prefira “sofrer em silêncio do que ser elas mesmas em público”. É justamente esse conflito entre identidade e expectativa externa que o conceito tenta nomear, oferecendo uma leitura mais ampla sobre os vínculos e sobre a forma como cada pessoa constrói amor, compromisso e liberdade.
A proposta também é abordada no livro Orientação Relacional: O Amor do Seu Jeito, previsto para junho de 2026, no qual Marina Rotty aprofunda o conceito e amplia a reflexão sobre as formas contemporâneas de se relacionar. Na obra, a autora reforça que não existe um único jeito certo de amar, mas diferentes maneiras de viver vínculo, desejo e compromisso. Nesse sentido, a orientação relacional surge como uma ferramenta para compreender o amor a partir da experiência real de cada pessoa, e não de um modelo imposto socialmente.
PERFIL
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Marina Rotty é psicóloga e sexóloga, com mais de 10 anos de atuação clínica em relacionamentos, dedicada ao atendimento e à reflexão sobre vínculos, desejo, liberdade afetiva e formas contemporâneas de amar. Com formação em Psicologia pelo UNASP, pós-graduação em Sexologia pela POSFG e especialização em andamento em Teoria do Apego, Psicobiologia e Logoterapia, desenvolveu o conceito de orientação relacional a partir de sua experiência clínica e de escuta de múltiplas histórias afetivas.