A popularização de filtros nas redes sociais e a exposição constante a padrões estéticos têm impulsionado um comportamento cada vez mais comum nos consultórios de cirurgia plástica: o fenômeno do “quero igual”. No caso das cirurgias corporais, o pedido costuma vir acompanhado de imagens de famosas com curvas bem definidas, cintura marcada e proporções consideradas “ideais”.
Leia Mais
Nos consultórios, procedimentos como lipoaspiração com definição, enxerto de gordura e remodelação corporal estão entre os mais procurados por pacientes que desejam reproduzir esses padrões. A ideia não é apenas reduzir medidas, mas redesenhar o corpo, com foco em contorno e proporção, especialmente na região da cintura, abdômen e glúteos.
Para a cirurgiã plástica Carine Barreto, esse movimento exige atenção redobrada. “Hoje, o paciente não quer apenas emagrecer ou retirar gordura, ele quer um corpo específico, com curvas muito bem desenhadas. O problema é quando essa expectativa não leva em conta as características individuais”, explica.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Segundo ela, fatores como estrutura óssea, distribuição de gordura e elasticidade da pele influenciam diretamente no resultado final. “Nem sempre é possível reproduzir o corpo de outra pessoa. A cirurgia plástica precisa respeitar limites técnicos e, principalmente, a harmonia com o próprio corpo do paciente”, pontua.
Além das questões físicas, o fenômeno também levanta discussões sobre autoestima e influência digital. A constante exposição a imagens idealizadas pode gerar comparações irreais e aumentar a pressão por resultados rápidos e padronizados.
Carine destaca que a tendência mais atual da cirurgia plástica corporal vai na direção oposta da cópia. “O que buscamos hoje é personalização. A ideia é valorizar o biotipo de cada paciente e criar um resultado natural, proporcional e sustentável ao longo do tempo”, afirma.
Diante desse cenário, o “quero igual” corporal deixa de ser apenas um pedido estético e se consolida como um reflexo direto da cultura visual contemporânea, onde corpos se tornam referências e a individualidade passa a ser, cada vez mais, um desafio a ser preservado.
