Com a chegada das estações mais frias do ano, especialistas acendem um alerta para a saúde do coração. Durante o outono e o inverno, o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC) pode aumentar em até 30%, segundo dados do Ministério da Saúde. A queda das temperaturas provoca vasoconstrição - o estreitamento dos vasos sanguíneos, o que eleva a pressão arterial e exige mais esforços do coração.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 17,9 milhões de mortes por ano no mundo - muitas delas evitáveis com medidas de prevenção e controle de fatores de risco.

De acordo com o coordenador do Serviço de Cardiologia Intervencionista do Santa Marcelina Saúde, Jamil Ribeiro Cade, o impacto do frio no organismo vai além do desconforto térmico. “Nos dias mais frios, o corpo precisa trabalhar mais para manter a temperatura, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular. Além disso, há aumento da pressão arterial e maior tendência à formação de coágulos por aumento da viscosidade sanguínea e ativação de fatores da coagulação, fatores diretamente associados ao infarto e ao AVC”, explica.

Outro fator de risco importante nesta época do ano é o aumento das doenças respiratórias, como gripe e pneumonia, que também podem afetar o coração. “As infecções respiratórias exigem mais do organismo e podem descompensar pacientes que já têm doenças cardíacas. Em alguns casos, elas funcionam como gatilho para eventos mais graves”, alerta o especialista.

Além disso, mudanças de comportamento típicas do período, como a redução da atividade física, alimentação mais calórica e maior permanência em ambientes fechados também contribuem para o aumento do risco cardiovascular. “As pessoas tendem a se movimentar menos no frio, e isso impacta diretamente a saúde do coração. O sedentarismo, associado a hábitos alimentares inadequados, pode agravar quadros de hipertensão, obesidade e colesterol elevado”, afirma o Dr. Jamil.

Como se proteger?

Como proteger o coração durante o outono: para reduzir os riscos, o especialista reforça que algumas medidas simples podem fazer a diferença:

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  • Manter o corpo aquecido, especialmente idosos e pacientes cardíacos
  • Não abandonar a prática de atividade física, mesmo nos dias frios
  • Priorizar uma alimentação equilibrada e evitar excesso de sal e gordura
  • Manter-se hidratado, mesmo com menor sensação de sede
  • Evitar ambientes fechados e com aglomerações
  • Não fumar e evitar exposição à poluição
  • Manter a vacinação contra gripe e pneumonia em dia
  • Realizar acompanhamento médico regular e não esquecer das medicações de uso habitual

“Prevenção é sempre o melhor caminho. Pequenas atitudes no dia a dia ajudam a reduzir significativamente o risco de eventos cardiovasculares, especialmente em períodos mais críticos como o outono e o inverno”, destaca.

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