Estudo aponta que progesterona oral pode otimizar chances na FIV
Pesquisa que analisou 281 ciclos de transferência de embrião único apresentou melhores resultados com uso da medicação por via oral, em comparação com a vaginal
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Um estudo identificou que o uso de progesterona oral (didrogesterona) pode aumentar significativamente as chances de gravidez e de nascimento de bebês em tratamentos de fertilização in vitro. A pesquisa mostrou taxas mais altas de gravidez clínica (61,2%) e de nascimento vivo (55,4%) entre pacientes que utilizaram a medicação por via oral, em comparação com aquelas que usaram progesterona vaginal (43,7% e 39,1%, respectivamente), que é o padrão-ouro atual.
O trabalho, conduzido pela clínica Fertipraxis (RJ), foi selecionado para apresentação no 18º Congresso da Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (Redlara), que acontece até esta sexta-feira (1/5) em Foz do Iguaçu.
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“O objetivo foi comparar três diferentes formas de suporte de progesterona na preparação endometrial em ciclos naturais submetidos à transferência de um único blastocisto euploide, ou seja, com cromossomos normais e boa qualidade morfológica”, explica a diretora médica da Fertipraxis, Maria do Carmo Borges de Souza.
Segundo a médica, embora o ciclo natural já seja considerado a melhor opção em muitos casos, ainda há espaço para aprimorar o suporte hormonal. “Estamos investigando qual tipo de progesterona apresenta melhores resultados na nossa prática. Trata-se de um estudo relevante, reconhecido com a seleção para apresentação oral e concorrência ao prêmio científico do evento”, diz Maria do Carmo, que também é membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Redlara.
Metodologia
O estudo analisou 281 ciclos de transferência de embrião único, envolvendo blastocistos de boa qualidade previamente testados para alterações cromossômicas. As pacientes foram divididas em três grupos, conforme o tipo de suporte de progesterona na fase lútea:
- Didrogesterona oral
- Progesterona vaginal micronizada
- Combinação de ambas
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Resultados
Os desfechos observados, respectivamente para os grupos de didrogesterona, progesterona vaginal e combinação, foram:
- Gravidez bioquímica: 64,5% vs. 47,1% vs. 61,6%
- Gravidez clínica: 61,2% vs. 43,7% vs. 57,5%
- Aborto espontâneo: 8,1% vs. 5,3% vs. 2,4%
- Nascimento vivo: 55,4% vs. 39,1% vs. 56,2%
Na prática, os achados reforçam que mesmo em ciclos naturais — cada vez mais utilizados por serem mais fisiológicos e bem aceitos pelas pacientes — o suporte hormonal adequado pode fazer diferença. A progesterona é essencial para preparar o útero e garantir a sincronia ideal para a implantação.
“A análise demonstrou diferença estatisticamente significativa a favor do grupo que utilizou didrogesterona, mesmo após ajustes para variáveis como peso, idade e presença de endometriose”, destaca a especialista.
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Além do potencial de aumentar as chances de sucesso, o uso da progesterona oral pode trazer mais conforto às pacientes ao evitar o uso exclusivo de medicações vaginais, frequentemente associadas a desconfortos.