RESISTÊNCIA BACTERIANA

Antibiótico não é para tudo: o mito que está destruindo sua imunidade

Apressar a recuperação de um resfriado com medicamentos errados pode trazer consequências graves e irreversíveis. Especialista aponta os 4 erros fatais

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Por Camila Stucaluc - O uso incorreto de antibióticos segue como uma das principais preocupações da comunidade médica. Considerada uma das maiores ameaças à saúde pública, a resistência bacteriana tem avançado silenciosamente, impulsionada principalmente pela automedicação e interrupção precoce de tratamentos.

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Os antibióticos são indicados exclusivamente para o tratamento de infecções bacterianas, mas ainda é comum que parte da população utilize o medicamento de forma indevida, acreditando que ele pode acelerar a recuperação de quadros respiratórios comuns. O comportamento, além de não trazer benefício clínico, pode dificultar tratamentos futuros e reduzir a eficácia dos medicamentos disponíveis.

Isso porque o uso indiscriminado de antibióticos colabora para a resistência bacteriana. O fenômeno ocorre quando as bactérias passam a não responder mais aos antibióticos, dificultando o tratamento de infecções simples e aumentando o risco de complicações. O problema já é considerado um desafio global, pois pode comprometer cirurgias, tratamentos hospitalares e até procedimentos de rotina. 

Além disso, o uso incorreto pode prejudicar os pacientes que, sem uma cura completa, tendem a voltar a adoecer de forma mais grave no futuro. Esse problema ocorre, por exemplo, quando o paciente não faz o tratamento completo, tomando todas as doses prescritas.

Veja os principais erros no consumo de antibióticos:

  • Aceitar a recomendação de qualquer pessoa que não seja médico, dentista ou enfermeiro (caso dos programas do SUS)

  • Tomar antibióticos quando estiver gripado ou com a garganta inflamada

  • Usar um medicamento que foi recomendado para outra pessoa. Os sintomas podem ser parecidos, mas a doença e necessidade de tratamento podem ser outras

  • Tomar os antibióticos que sobraram de um tratamento anterior, sem passar por avaliação profissional

Danilo Campos, infectologista do Hospital Oto Aldeota, afirma que a resistência bacteriana é uma das maiores preocupações de profissionais e autoridades da área de saúde no mundo inteiro. O cenário, segundo ele, é agravado pelo baixo nível de entendimento da população sobre o uso correto dos medicamentos.

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“Muitas pessoas ainda interrompem o tratamento antes do tempo recomendado, utilizam antibióticos sem prescrição médica ou compartilham medicamentos com familiares, práticas que contribuem diretamente para o aumento da resistência bacteriana. O uso responsável dos antibióticos envolve diagnóstico correto, prescrição médica adequada e cumprimento rigoroso do tratamento”, afirma o especialista.

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