DOENÇAS CARDÍACAS

SBC lança 1ª Diretriz sobre Ecocardiografia de Estresse da América Latina

Documento inédito da SBC revela como o esforço provocado em exame pode antecipar sequelas e riscos de arritmia antes de danos estruturais

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Para orientar médicos e outros profissionais de saúde sobre a importância e o uso adequado do ecocardiograma de estresse no diagnóstico mais rápido de problemas cardíacos, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Sociedade Interamericana de Imagem Cardiovascular (Sisiac) publicaram, neste sábado (11/4), o primeiro guia da América Latina sobre o exame.

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O que é o exame?

A ecocardiografia de estresse é um ultrassom do coração, acessível e de baixo custo, que avalia o funcionamento do órgão quando ele é exigido, seja durante exercício físico ou com o uso de medicação. Esse esforço faz o coração bater mais rápido e demandar mais oxigênio, o que ajuda a identificar diversas doenças.

Existem diversas opções de exames, que variam conforme o objetivo da investigação. A avaliação de isquemia miocárdica é a principal indicação e pode ser realizada em conjunto com o teste ergométrico de esforço, em esteira ou bicicleta. Também é realizado quando há suspeita de doença arterial coronariana.

Quando necessário, o exame pode ser associado ao uso de fármacos, como dobutamina, dipiridamol ou adenosina, à estimulação por marca-passo atrial ou por dispositivos específicos, incluindo, em alguns casos, a indução de estresse emocional em pacientes que já utilizam esse tipo de equipamento.

“Antes usado principalmente para o diagnóstico de isquemia miocárdica, que é a redução do fluxo sanguíneo nas artérias do coração, o exame passou a ser validado para diversas outras patologias nos últimos anos. Isso o torna uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce de várias condições”, afirma a cardiologista Ana Cristina Camarozano, coordenadora da diretriz.

A publicação é o primeiro guia, em nível nacional e latino-americano, voltado à aplicação da ecocardiografia de estresse e deve contribuir para ampliar e valorizar o uso do método. “Nunca tivemos um documento tão detalhado voltado para a prática no Brasil e na América Latina. É um marco que reforça a importância do exame na rotina clínica e será muito útil tanto para profissionais experientes quanto para aqueles que estão iniciando a carreira”, diz.

Coração sob estresse

Entre as principais atualizações, a cardiologista destaca o papel do exame na identificação de doenças cardíacas que só se manifestam durante um esforço. Um exemplo são condições que afetam com mais frequência o coração das mulheres.

“Muitas mulheres apresentam dor no peito atípica e podem ter isquemia mesmo sem obstrução nas artérias principais. Nesses casos, o ecocardiograma de estresse é fundamental para mostrar que os pequenos vasos do coração não estão funcionando adequadamente durante o esforço, o que evita diagnósticos equivocados”, explica.

O exame também tem aplicação importante no diagnóstico de doenças valvares, caracterizadas pelo mau funcionamento das válvulas cardíacas, na detecção de danos cardíacos sutis após a COVID-19 e na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, situação em que o coração consegue contrair, mas tem dificuldade para relaxar e se encher corretamente.

O que muda com a nova diretriz em relação às doenças?

A diretriz amplia o uso do exame e traz novas aplicações. Veja alguns exemplos:

Doença coronariana clássica

Antes, o exame era focado quase exclusivamente na identificação de placas de gordura que obstruem as grandes artérias, observando alterações na contração do músculo cardíaco. Agora, embora essa avaliação continue sendo referência, o método passa a ir além - incluindo a análise da microcirculação e da reserva de volume de sangue que irriga o músculo cardíaco (miocárdio) e artérias coronárias (fluxo coronariano).

Avaliação pós-COVID-19

A análise de possíveis danos ao coração após a COVID-19 era feita principalmente com exames em repouso, na fase aguda da infecção. Com a nova diretriz, o exame de estresse ganha espaço como uma espécie de teste funcional para atletas e pacientes recuperados, que apresentam resultados normais em repouso, mas desenvolvem arritmias ou alterações durante o esforço. Isso ajuda a orientar um retorno mais seguro às atividades físicas e do dia a dia.

Doenças das válvulas

A avaliação da gravidade dessas doenças era baseada em medidas obtidas com o paciente em repouso. O exame de estresse passa a ser indicado em casos mais complexos para esclarecer dúvidas diagnósticas, especialmente quando há baixo fluxo e baixo gradiente, permitindo diferenciar um estreitamento de uma passagem realmente grave de alterações causadas por um coração enfraquecido.

Doença de Chagas

O acompanhamento costumava focar em exames de repouso para identificar o aumento do coração e no uso de holter para detectar arritmias. Com a nova diretriz, o método também passa a ser utilizado para identificar precocemente a isquemia microvascular típica da doença, antes mesmo de alterações estruturais mais evidentes, além de ajudar a prever o risco de arritmias ventriculares complexas.

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Pediatria e cardiopatias congênitas

Tradicionalmente pouco utilizado em crianças por dificuldades técnicas e pela agitação dos pacientes, o exame ganha espaço com a inclusão de protocolos específicos. Esses protocolos permitem sua aplicação de forma mais viável, inclusive sem necessidade de punção venosa em alguns casos, contribuindo para a avaliação de doenças como a Doença de Kawasaki, anomalias coronarianas e também para a liberação segura para a prática esportiva.

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