O mês das mulheres também é lembrado pela conscientização sobre o câncer do colo de útero, tema central da campanha Março Lilás. A doença, que se desenvolve de forma silenciosa, apresenta um dos maiores índices de letalidade entre o público feminino no Brasil.
Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) indicam que o tumor causa a morte de 19 mulheres por dia no país. A enfermidade ocupa a primeira posição no ranking de óbitos por câncer em mulheres de até 36 anos. A doença também ocupa o segundo lugar entre os cânceres que mais matam mulheres até os 60 anos.
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A estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece a meta 90-70-90 para eliminar a patologia como problema de saúde pública até 2030. O plano prevê a vacinação de 90% das meninas até 15 anos, a triagem de 70% das mulheres aos 35 e 45 anos e o tratamento para 90% das pacientes diagnosticadas. Com esses indicadores, o diagnóstico precoce e a prevenção, de acordo com especialistas, surgem como recursos mais eficazes para reduzir a mortalidade.
Câncer silencioso
A doença se desenvolve de forma lenta e possui ligação direta com a infecção persistente por tipos específicos de HPV, como o 16 e o 18. A médica oncologista da Hapvida, Valdênia Guimarães, explica que os sintomas surgem em estágios avançados.
“Quando a doença se manifesta, os sinais mais comuns são sangramentos vaginais fora do período menstrual, após a relação sexual ou na menopausa, além de corrimento com sangue ou odor desagradável e dor durante a relação. Em casos mais avançados, pode haver dor pélvica ou lombar, cansaço, sintomas urinários, problemas renais e inchaço nas pernas”, afirma.
HPV é o principal fator de risco
A infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano) está presente em cerca de 99% dos casos, embora nem toda infecção evolua para câncer. Ou seja, é uma condição evitável por meio da vacinação contra o HPV e a realização do exame preventivo (papanicolau).
“Esse exame preventivo tem um papel fundamental na prevenção, pois permite identificar alterações nas células do colo do útero antes mesmo de se transformarem em câncer, podendo ser tratadas antes que a doença se desenvolva”, destaca a especialista.
A doutora ainda ressalta que a vacina, mesmo representando um grande avanço na prevenção, não substitui o exame preventivo. As vacinas protegem contra os principais tipos de HPV que causam a doença, mas não contra todos os tipos de vírus associados ao câncer cervical.
Além disso, muitas mulheres que estão na faixa etária indicada para o rastreamento não foram vacinadas na adolescência, já que a vacinação começou a ser disponibilizada mais recentemente pelo SUS.
De acordo com a especialista, a estratégia mais eficaz de prevenção é a combinação entre a vacinação e o exame de rastreamento regular. “A vacina reduz o risco de infecção pelos tipos mais frequentes do vírus, enquanto o exame preventivo permite detectar precocemente qualquer alteração na região, garantindo diagnóstico e tratamento antes que o câncer se desenvolva”, explica.
Além do HPV, fatores como tabagismo, início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros sexuais, uso de contraceptivos orais e imunossupressão elevam os riscos para a doença.
Tratamento
O tratamento depende do estágio da doença, do tamanho do tumor e do desejo da paciente em preservar a fertilidade. A oncologista explica que nos casos iniciais a primeira opção é a cirurgia. Em casos avançados, é utilizada a radioterapia associada à quimioterapia. A escolha do tratamento é feita de forma individualizada por uma equipe de especialistas.
Conscientização salva vidas
Apesar de prevenível, o câncer do colo do útero ainda enfrenta barreiras como a desinformação, o medo e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
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A especialista reforça que “manter os exames em dia, falar sobre saúde feminina quebrando tabus e incentivando outras mulheres a fazerem o mesmo, são atitudes que ajudam a proteger vidas. Cuidar de si mesma é um ato de força, de consciência e de valorização da própria vida.”
