O congelamento de óvulos tem se consolidado como uma alternativa cada vez mais procurada por mulheres que desejam preservar a fertilidade e planejar a maternidade de forma mais flexível. O avanço das técnicas de reprodução assistida tem garantido mais segurança e eficácia ao procedimento, tornando-o uma importante ferramenta no planejamento familiar.
De acordo com a biomédica habilitada em reprodução humana, Fernanda Lamounier, especialista em terapia familiar e do casal pela Uunifesp e coordenadora do programa de ovodoação e ovorecepção da Clínica Mãe, o processo é estruturado em quatro etapas principais.
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Como funciona?
“A primeira fase é a estimulação ovariana, feita com hormônios aplicados por cerca de 10 a 12 dias, com o objetivo de estimular o crescimento dos folículos”, explica. Em seguida, ocorre o monitoramento, com exames de ultrassom transvaginal para acompanhar o desenvolvimento folicular e definir o momento ideal da coleta.
A terceira etapa é a coleta dos óvulos, realizada com sedação e guiada por ultrassom, com duração média de 20 a 30 minutos. “É um procedimento considerado seguro e pouco doloroso para a maioria das pacientes”, destaca Fernanda.
Após a coleta, os óvulos passam por avaliação em laboratório. Aqueles considerados maduros são submetidos à vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido. “Esse método impede a formação de cristais de gelo dentro da célula, preservando sua estrutura e integridade”, explica a especialista. Os óvulos são então armazenados em nitrogênio líquido a cerca de 196 °C.
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Tem validade?
Outro ponto importante é que, segundo estudos, os óvulos vitrificados não perdem qualidade com o tempo. “O fator mais determinante é a idade da mulher no momento da coleta”, ressalta Fernanda.
A especialista explica que a reserva ovariana é definida ainda durante a gestação e sofre redução natural ao longo dos anos. “O ideal é que o congelamento seja realizado antes dos 35 anos, quando há maior quantidade e qualidade de óvulos”, orienta. Após essa idade, há uma queda mais acentuada na reserva ovariana, o que pode impactar as chances de sucesso.
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Mesmo assim, mulheres acima dos 40 anos também podem recorrer ao procedimento. “É uma estratégia válida dentro do planejamento familiar, desde que haja consciência de que a idade influencia diretamente nos resultados”, pontua.
Além dos avanços tecnológicos, como a vitrificação, Fernanda destaca a importância da personalização dos protocolos de estimulação ovariana, que tornam o tratamento mais adequado às características individuais de cada paciente.
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Com informação e acompanhamento especializado, o congelamento de óvulos se apresenta como uma alternativa segura e eficaz para mulheres que desejam ter mais autonomia sobre o próprio tempo reprodutivo.
