Ondas de calor intensas, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal e perda de massa óssea fazem parte da rotina de muitas mulheres na menopausa. A terapia de reposição hormonal (TRH) é considerada uma das estratégias mais eficazes para aliviar esses sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas especialistas alertam que o tratamento precisa ser conduzido com critério, avaliação individualizada e acompanhamento médico.
De acordo com a ginecologista Caroline Alonso, especialista em climatério e menopausa, a reposição hormonal não deve ser encarada como uma solução padronizada. “A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas os sintomas variam muito. Por isso, a reposição precisa ser individualizada, levando em conta idade, tempo de menopausa, histórico de saúde pessoal e familiar, além da avaliação do perfil metabólico e inflamatório da paciente”, explica.
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Um dos conceitos importantes para a segurança do tratamento é a chamada “janela de oportunidade”, período que geralmente corresponde aos primeiros dez anos após a menopausa ou antes dos 60 anos de idade. “De forma geral, iniciar a terapia hormonal nos primeiros anos após a menopausa tende a ser mais seguro do ponto de vista cardiovascular do que começar tardiamente. Mas essa decisão sempre precisa ser avaliada caso a caso”, afirma a ginecologista.
O cardiologista Marcelo Bergamo destaca que o impacto da terapia no coração depende de diversos fatores. “Cada mulher tem um perfil de risco diferente. Histórico familiar de câncer de mama, pressão alta, colesterol elevado, obesidade, tabagismo e diabetes precisam ser considerados antes da prescrição”, explica.
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Entre os possíveis riscos cardiovasculares associados ao uso inadequado da terapia estão aumento da chance de trombose, acidente vascular cerebral (AVC) e, em alguns casos, infarto. Segundo o especialista, o momento de início do tratamento e a forma como ele é conduzido fazem diferença. “O tipo de hormônio, a dose, a via de administração e o momento em que a terapia é iniciada influenciam diretamente no impacto cardiovascular”, afirma.
Outro ponto importante é a escolha da via de administração. A reposição hormonal pode ser realizada por diferentes formas, como via oral, transdérmica ou por implantes hormonais. “Em algumas mulheres, optar pela via transdérmica pode reduzir riscos metabólicos e trombóticos. A decisão não é aleatória, ela é estratégica”, ressalta Caroline.
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Antes de iniciar o tratamento, a avaliação clínica completa é indispensável. Isso inclui análise do histórico pessoal e familiar da paciente, investigação de doenças cardiovasculares, câncer de mama e eventos trombóticos, além da avaliação de exames laboratoriais e do perfil metabólico. “A saúde do coração precisa fazer parte central dessa decisão”, reforça Marcelo.
A automedicação ou o uso de hormônios sem acompanhamento médico também preocupa os especialistas. “Hormônio não é suplemento. Usar por conta própria ou sem monitoramento adequado pode trazer riscos importantes. O tratamento exige acompanhamento periódico e reavaliação constante”, alerta Caroline.
Quando bem indicada e acompanhada, no entanto, a terapia pode trazer benefícios relevantes. Além de reduzir os fogachos e melhorar o sono e o humor, a reposição hormonal também pode ajudar na prevenção da perda óssea e na manutenção da saúde urogenital.
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Para os especialistas, o caminho mais seguro é a decisão compartilhada entre médica e paciente. “Avaliar riscos, benefícios e expectativas é essencial. A menopausa não é uma doença, mas o tratamento precisa ser conduzido com responsabilidade e monitoramento contínuo”, ressalta Marcelo.
