MEDICAMENTO

Estudo aponta resposta em 76% dos pacientes com lúpus eritematoso

Uso do obinutuzumabe, em combinação com a terapia padrão, sugere menor ocorrência de crises e potencial para prevenir danos a órgãos como os rins

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O New England Journal of Medicine publicou, em março de 2026, os resultados do estudo clínico de fase III Allegory, que avaliou o uso do medicamento obinutuzumabe em adultos com lúpus eritematoso sistêmico (LES). De acordo com o estudo, 76,7% dos pacientes que receberam o medicamento, em combinação com a terapia padrão, apresentaram melhora dos sintomas após 52 semanas. No grupo que recebeu apenas o tratamento padrão, a resposta foi de 53,5%.

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“O LES é uma doença autoimune crônica, na qual o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo. Estima-se que mais de três milhões de pessoas vivam com a condição no mundo, sendo mais comum em mulheres em idade fértil. A doença pode causar inflamação em diferentes partes do corpo e, em casos mais graves, comprometer órgãos vitais”, explica Débora Calderaro, professora de reumatologia da UFMG e membro da Comissão de Lúpus Eritematoso Sistêmico e da unidade de pesquisa da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Avanços

Os dados, também apresentados no SLEuro 2026, indicam avanços relevantes em outros desfechos. A taxa de remissão — quando os sinais e sintomas ficam controlados ou desaparecem — foi de 35,1% entre os pacientes tratados, em comparação com 13,8% no grupo que recebeu apenas o tratamento padrão.

Além disso, houve redução na necessidade de uso de corticoides, como a prednisona, frequentemente associados a efeitos colaterais no uso prolongado.
“Um destaque importante é o aumento do tempo até a ocorrência de novas crises do LES, e a menor frequência da ocorrência destas novas crises, o que é fundamental para evitar danos permanentes a órgãos como rins, pele e articulações”, acrescenta Débora.

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O obinutuzumabe atua sobre as células B, um tipo de célula de defesa que desempenha papel central no desenvolvimento do lúpus. Atualmente, os dados estão em análise por autoridades regulatórias, como a Food and Drug Administration (FDA) e a European Medicines Agency (EMA). Se aprovado, poderá ampliar as opções terapêuticas para o controle da doença.

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