EVIDÊNCIAS

Cannabis medicinal: estudo questiona eficácia e segurança do medicamento

Artigo publicado no The Lancet Psychiatry sobre a segurança e eficácia dos canabinoides afirma faltar evidência para atestar o tratamento

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Um artigo publicado esta semana (16/3) no The Lancet Psychiatry.– a maior revisão já realizada sobre a segurança e eficácia dos canabinoides em uma variedade de condições de saúde mental – não encontrou evidências de que a cannabis medicinal seja eficaz no tratamento da ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
 

O estudo surge em meio a mais de um milhão de aprovações de prescrições e venda  de medicamentos à base de canabinoides (incluindo produtos com canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC)) na Austrália nos últimos quatro anos, sendo a substância indicada para o tratamento de transtornos mentais. Nos Estados Unidos e no Canadá,  27% das pessoas entre 16 e 65 anos já usaram cannabis para fins medicinais, sendo que cerca de metade a utiliza para a saúde mental.
 

O principal autor do estudo,  Jack Wilson, do Centro Matilda da Universidade de Sydney, afirmou que os resultados colocam em dúvida a aprovação da cannabis medicinal para o tratamento de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (Tept).

“Embora nosso estudo não tenha analisado isso especificamente, o uso rotineiro de cannabis medicinal pode estar causando mais mal do que bem, piorando os resultados em saúde mental, como, por exemplo, aumentando o risco de sintomas psicóticos e desenvolvimento de transtorno por uso de cannabis, além de atrasar o uso de tratamentos mais eficazes”, diz. 
Mais de 700 mil australianos relataram o uso de cannabis medicinal para tratar mais de 250 problemas de saúde. A pesquisa encontrou evidências que sugerem que a cannabis medicinal pode ser potencialmente benéfica para algumas condições, como o tratamento do transtorno por uso de cannabis (também conhecido como dependência de cannabis), autismo, insônia e tiques ou síndrome de Tourette. “Na ausência de um sólido suporte médico ou psicológico, o uso de cannabis medicinal em alguns casos raramente se justifica”, esclarece. 
“Há, no entanto, evidências de que a cannabis medicinal pode ser benéfica em certas condições de saúde, como a redução de convulsões associadas a algumas formas de epilepsia, espasticidade em pessoas com esclerose múltipla e o controle de certos tipos de dor, mas nosso estudo mostra que as evidências para transtornos de saúde mental são insuficientes.”
 
 
“No caso específico do autismo, embora o estudo tenha mostrado algumas evidências de que a cannabis medicinal pode auxiliar na redução dos sintomas, é importante ressaltar que não existe uma experiência única – ou universal – de autismo, portanto, essa descoberta deve ser tratada com cautela.”

Embora a cannabis medicinal possa ajudar na dependência de cannabis, descobriu-se que ela aumenta a fissura por cocaína em pessoas com transtorno por uso de cocaína. “Assim como a metadona é usada para tratar o transtorno por uso de opioides, os medicamentos à base de cannabis podem fazer parte de um tratamento eficaz para pessoas com esse transtorno. Quando administrada juntamente com terapia psicológica, uma formulação oral de cannabis demonstrou reduzir o consumo de cannabis fumada”, dz Wilson. 

“No entanto, quando a cannabis medicinal foi usada para tratar pessoas com transtorno por uso de cocaína, aumentou seus desejos. Isso significa que ela não deve ser considerada para esse fim e pode, na verdade, piorar a dependência de cocaína”, acrescenta.

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