HPV: casos de câncer de colo do útero devem crescer 14% por ano até 2028
O papilomavírus humano é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero; vacinação é a melhor forma de prevenção contra a doença
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No mês da mulher e para reforçar o Dia Internacional de Conscientização sobre o Papilomavírus Humano (HPV), nesta quarta-feira (4/3), os números que envolvem a saúde feminina não são necessariamente uma boa notícia. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) projetam mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero anualmente no Brasil entre 2026 e 2028. Outro dado serve de alerta: o câncer de colo do útero é o tipo que mais mata mulheres até os 35 anos e o segundo até os 60 anos. Cerca de 20 mulheres morrem todos os dias em decorrência da doença.
Aliado a isso, a doença está intimamente ligada a outro motivo de preocupação por parte das autoridades de saúde: o papilomavírus humano ou simplesmente HPV é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero. A boa notícia é que há vacinação contra o HPV, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na forma quadrivalente (veja quadro).
Vírus transmitido pelo contato pele a pele e mucosas, o HPV não escolhe suas vítimas. Mulheres, homens - heterossexuais ou não - em relacionamentos sexuais, com penetração ou não. Estas e outras dúvidas foram esclarecidas durante a inauguração da Casa Lilás, em São Paulo, um evento que contou com alguns dos mais conceituados especialistas do país, que estão participando da campanha de conscientização “Por um futuro sem câncer de colo de útero”, promovida pela MSD Brasil, em parceria com McCann Health.
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O espaço, localizado no Bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo, é imersivo e aberto a momentos de conversa sobre vacinação, prevenção, rotina de cuidados e autocuidado, sempre com foco no combate ao HPV.
Estiveram presentes: a oncologista Rachel Cossetti, especialista em tumores femininos e idealizadora da campanha Março Lilás de Prevenção do Câncer de Colo do Útero; a ginecologista Susana Cristina Aidé, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) e presidente da Comissão Nacional Especializada de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); o urologista Roni Fernandes, professor-assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (FCMSCSP) e presidente da Sociedade Brasileira de Saúde da Sociedade Brasileira de Urologia; e o ginecologista Valentino Magno, doutor em medicina e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A atriz Juliana Paes foi nomeada embaixadora da iniciativa e irá liderar as ações de conteúdo educativo para falar sobre o tema durante todo o ano. Mari Krüger, influenciadora de saúde e divulgadora científica, vai comandar um time de influenciadoras que ficará responsável por divulgar a campanha. Fazem parte do squad Nath Finanças, Paola Antonini, Thaila Ayala, Sophia Abrahão, Aline Campos, Laura Müller, Marcela McGowan, Mirelle Moschella, Amanda Meirelles, Gabriela Versiani, Rachel Apollonio, Vivi Cake, Júlia Faria, entre outras.
Preservativo só reduz incidência
Segundo a oncologista Rachel Cossetti, uma em cada cinco mulheres tem o HPV na forma mais agressiva e isso é um motivo relevante para os casos que levam à morte. “Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o preservativo reduz o risco de incidência do vírus, mas não evita. É que há regiões da pele (mucosas) onde a camisinha não toca, o que pode contribuir para a contaminação”, explica. “Além disso, o HPV pode ficar latente no organismo por muito tempo, não há como precisar.”
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Na visão de Susana Cristina Aidé, representante da Febrasgo, a partir do Programa Nacional de Imunizações (PNI), é plenamente possível mudar esse cenário de casos e, também, de óbitos. “Todos os anos, 7.493 morrem em decorrência do câncer de colo de útero (dados de 2024), por isso é tão importante a vacinação ainda na adolescência.”
O ginecologista Valentino Magno lembra que a vacina salva, em média, 5 milhões de mulheres todos os anos de terem a doença. “Além disso, temos dois outros pilares importantes: os exames de prevenção e o tratamento médico precoce”, reforça.
Atenção à vacina
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina quadrivalente está disponível para:
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos.
- Pessoas vivendo com HIV/Aids até 45 anos
- Pacientes transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea até 45 anos
- Usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição) de 15 a 45 anos
- Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos
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- Pacientes oncológicos até 45 anos
Na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonavalente para homens e mulheres entre 9 e 45 anos.