O câncer vaginal mais comum: entenda o carcinoma de células escamosas
O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum de câncer vaginal. Em geral, ele aparece a partir de alterações nas células que revestem a parte interna da vagina. Saiba mais sobre ele.
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O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum de câncer vaginal. Em geral, ele aparece a partir de alterações nas células que revestem a parte interna da vagina. Esse tumor costuma se desenvolver de forma lenta, frequentemente passando por fases pré-cancerosas antes de se tornar invasivo. Ademais, a maior parte dos casos tem diagnóstico em mulheres com mais de 50 anos. Porém, a doença pode surgir em faixas etárias diferentes, dependendo dos fatores de risco envolvidos.
Embora seja um câncer raro em comparação com outros tumores ginecológicos, o carcinoma de células escamosas da vagina exige atenção por causa da possibilidade de diagnóstico tardio. Isso acontece porque, em estágios iniciais, pode não causar sintomas evidentes, o que dificulta a identificação precoce. Por esse motivo, o acompanhamento ginecológico regular e a observação de qualquer alteração genital têm papel central na detecção desse problema.
O que causa o carcinoma de células escamosas vaginal?
A principal causa do carcinoma de células escamosas da vagina é a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV). Em especial, por tipos de alto risco oncogênico. A presença do vírus por longos períodos favorece alterações genéticas nas células escamosas da mucosa vaginal, que podem evoluir para lesões pré-cancerosas e, posteriormente, para câncer. No entanto, nem toda infecção por HPV progride para câncer, mas a persistência viral aumenta de forma relevante essa probabilidade.
Além do HPV, outros fatores também se relacionam ao surgimento do câncer vaginal escamoso, como:
- Tabagismo, que potencializa o efeito do HPV nas células da mucosa;
- Histórico de lesões pré-cancerosas ou câncer de colo do útero;
- Baixa imunidade, seja por doenças ou uso prolongado de medicamentos imunossupressores;
- Exposição prévia ao dietilestilbestrol (DES) na gestação, em casos históricos específicos;
- Idade avançada, devido ao acúmulo de danos celulares ao longo dos anos.
Quais são os sintomas do carcinoma de células escamosas vaginal?
Os sintomas do carcinoma de células escamosas vaginal variam conforme o estágio da doença. Em fases iniciais, muitas pacientes não apresentam queixas claras, o que reforça a importância dos exames ginecológicos de rotina. Com a progressão do tumor, alguns sinais passam a ser mais frequentes e chamam a atenção.
Entre os sintomas mais observados estão:
- Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa;
- Sangramento ou dor durante a relação sexual;
- Corrimento vaginal persistente, às vezes com odor diferente do habitual;
- Dor ou sensação de pressão na região pélvica;
- Nódulo, caroço ou lesão visível na vagina durante exame ginecológico;
- Em estágios avançados, dificuldade para urinar ou evacuar, ou dor intensa na pelve.
Esses sintomas não são exclusivos do câncer vaginal escamoso e também aparecem em outras condições ginecológicas. Ainda assim, a presença dessas alterações por mais de alguns dias ou semanas precisa ser investigada por profissional de saúde.
Como é o tratamento e qual a letalidade do câncer vaginal escamoso?
O tratamento do carcinoma de células escamosas da vagina depende do estadiamento do tumor, da localização exata, do tamanho da lesão e das condições clínicas da paciente. De maneira geral, as principais formas de tratamento incluem cirurgia, radioterapia e, em alguns casos, quimioterapia, isoladas ou combinadas.
De forma simplificada, o manejo costuma seguir esta lógica:
- Estágios iniciais: lesões pequenas e localizadas podem ser tratadas com cirurgia conservadora, que remove o tumor com margem de segurança, preservando ao máximo a anatomia vaginal.
- Estágios intermediários: podem exigir cirurgia mais ampla e radioterapia complementar, para reduzir o risco de recidiva local.
- Estágios avançados: a radioterapia externa e/ou braquiterapia (radiação interna) ganham destaque, muitas vezes associadas à quimioterapia, especialmente quando o tumor não é operável.
A letalidade do câncer vaginal escamoso está diretamente relacionada ao estágio em que é diagnosticado. Quando identificado em fase inicial, as taxas de sobrevivência em cinco anos são mais altas e o controle local tende a ser mais eficaz. Em estágios avançados, com invasão de estruturas vizinhas ou metástases em linfonodos e outros órgãos, o prognóstico se torna mais reservado, com maior risco de óbito. Em 2026, a literatura médica ainda reforça que o diagnóstico precoce é o principal fator que melhora as taxas de sobrevivência nesse tipo de tumor ginecológico.
Quais são os outros tipos de câncer vaginal?
Embora o carcinoma de células escamosas seja o tipo mais comum de câncer vaginal, existem outras formas menos frequentes, que também exigem diagnóstico e tratamento específicos. Cada subtipo tem origem em diferentes tipos de células e pode ter comportamento distinto.
Entre os principais tipos de câncer vaginal, além do carcinoma escamoso, estão:
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- Adenocarcinoma vaginal: surge nas células glandulares da mucosa. Um subtipo particular, o adenocarcinoma de células claras, foi classicamente associado à exposição ao DES durante a gestação, especialmente em mulheres nascidas entre as décadas de 1940 e 1970.
- Melanoma vaginal: tumor originado dos melanócitos, células produtoras de pigmento. É raro, pode formar lesões escuras e tende a ter comportamento mais agressivo.
- Sarcomas vaginais: desenvolvem-se a partir de tecidos de sustentação, como músculo liso (leiomiossarcoma) ou tecido conjuntivo (rabdomiossarcoma, mais comum em crianças e adolescentes).
- Metástases na vagina: em alguns casos, a lesão vaginal não é um tumor primário, mas sim a extensão ou disseminação de cânceres originados em outros órgãos, como colo do útero, endométrio, bexiga ou reto.
Apesar de raros, esses tumores mostram que o termo câncer vaginal engloba um conjunto de doenças com características próprias. A avaliação por equipe especializada em oncologia ginecológica é fundamental para definir o tipo exato de câncer, o estadiamento e o plano terapêutico mais adequado, sempre considerando as evidências científicas atualizadas e o contexto de cada paciente.